Proteção Civil aciona alerta vermelho após duplicação do caudal do Tejo

Descargas das barragens provocaram a subida abrupta do caudal do rio Tejo.

05 de fevereiro de 2026 às 12:06
Santarém é um dos locais mais afetados pela subida do nível das águas do Rio Tejo
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A Proteção Civil ativou esta quinta-feira o alerta vermelho para a bacia do Tejo devido à subida abrupta do caudal, provocada pelas descargas das barragens, o que coloca em risco zonas ribeirinhas e impõe medidas preventivas no distrito de Santarém.

"Até às 5h00 tínhamos apenas informações sobre caudais que seriam debitados nas barragens do Fratel, Pracana e Castelo de Bode, com um acumulado em Almourol de cerca de 3.500 metros cúbicos por segundo [m³/s]. Durante a madrugada, o cenário inverteu-se e já ultrapassámos 7.400 m³/s. Por isso, foi decretado o alerta vermelho", disse à Lusa o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém, Manuel Jorge Valamatos.

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Este agravamento do estado de alerta para nível vermelho, o mais elevado de uma escala de quatro, indica risco extremo de inundações e cheias significativas devido ao mau tempo, à subida dos caudais e às descargas das barragens, com possibilidade de inundação de áreas habitualmente críticas, deslizamentos de terras e derrocadas, e implica a mobilização imediata de meios de proteção civil.

"Desde as 09:00 estamos a trabalhar com todas as estruturas de proteção civil, GNR e PSP para regular trânsitos e minimizar prejuízos a bens e pessoas. As previsões indicam que os caudais vão continuar a subir nas próximas horas", acrescentou Valamatos.

Vários rios e ribeiras da região começaram a transbordar, com caudais muito elevados nos afluentes do Tejo e do Zêzere, provocando aluimentos de terras, quedas de árvores e cortes de estradas em várias localidades do distrito de Santarém.

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"Com a chuva intensa desta noite, os terrenos estão completamente saturados e as ribeiras com caudais altíssimos, criando uma situação de cheia como não víamos há muitos anos", explicou Valamatos, acrescentando que as descargas das barragens portuguesas e da Alcântara, em Espanha, contribuíram para o agravamento do cenário.

Segundo o presidente da Proteção Civil distrital, às 10h00 Castelo de Bode estava a debitar cerca de 600 m³/s, Pracana 1.025 m³/s e Fratel 5.800 m³/s, totalizando um acumulado de 7.414 m³/s em Almourol, valores que vão causar impacto em Mação, Abrantes, Constância e Vila Nova Barquinha, no Médio Tejo, e na Lezíria, a jusante. A situação está já a obrigar à evacuação de alguns locais, por precaução e proteção.

"Só às 05h00 tivemos informação de que as descargas das barragens a montante duplicaram, o que cria transtornos enormes, sobretudo nas zonas ribeirinhas, com inundações urbanas, agrícolas e necessidade de deslocar muitas pessoas em todos os concelhos ligados ao Tejo", disse Valamatos.

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O responsável alertou ainda para a gravidade da situação, reconhecendo o fator "surpresa" pela duplicação abrupta dos causais durante a madrugada.

"Nós fomos um pouco apanhados de surpresa com o aumento muito significativo das barragens a montante e das descargas de Espanha, mas todas as nossas estruturas de proteção civil e os subcomandos regionais do Médio Tejo e da Lezíria já estão no terreno a proteger as populações e a gerir os impactos destas cheias", declarou.

Valamatos sublinhou que os caudais devem manter-se elevados nas próximas horas e que a população.

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"É muito importante que todos sigam rigorosamente as informações, recomendações e orientações das instituições de proteção civil, evitem deslocações desnecessárias e protejam-se junto das famílias e vizinhos em zonas de risco", declarou.

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