Protesto das tendas travado à bastonada no Porto
Movimento alega que polícia não poupou ninguém, inclusive uma jovem com deficiência motora.
Era para ser mais uma noite de protesto na Praça D. João I, no Porto, contra o aumento dos preços das habitações, mas, durante a madrugada, o local virou um verdadeiro campo de batalha. De um lado, estavam os manifestantes a cantar o ‘Grândola, Vila Morena’; do outro, estava o Corpo de Intervenção da PSP, que acusa os ativistas de terem resistido à atuação policial. O movimento que convocou o protesto refere que são mais de 50 os feridos que resultaram dos confrontos e que duas pessoas sofreram ferimentos considerados graves. Também a PSP diz que um dos agentes necessitou de ser hospitalizado. Os confrontos ficaram gravados e os vídeos foram partilhados nas redes sociais. Mostram a carga policial que, segundo os ativistas, não poupou nem uma jovem que se encontrava no local e que era portadora de uma deficiência motora. Os manifestantes dizem que as autoridades utilizaram a força sem motivos. “Foi uma aplicação de força extremamente desproporcional contra um grupo pacífico que apenas estava a utilizar o espaço público. Fui agredido com várias cacetadas e tive de ser levado ao Hospital de Santo António, onde levei nove pontos “, explicou Tomás Varela. Outro ativista conta que foi agredido por pedir para ir buscar a mochila. “Pedi a um dos agentes para ir buscar a minha mochila, ignoraram-me e deram-me uma cacetada. O técnico de limpeza lutou comigo pela minha própria mochila”, disse Sérgio Bastos.
Esta quinta-feira à noite, os manifestantes voltaram à praça e foram até em maior número. Um cenário que contrastava com o da manhã, quando a Praça D. João I estava sem manifestantes, com lixo espalhado pelo chão e, no centro, cartazes queimados que antes tinham estado expostos com frases alusivas ao protesto.
Um dos advogados que tem dado apoio ao movimento diz que vai apresentar queixa contra a ação policial. “Estava lá e aquilo que se passou foi algo que eu ainda agora não consigo explicar, porque não houve nenhum ato por parte dos manifestantes que pudesse dar origem a esta resposta”, disse Tiago Machado.
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