“Quando vi o marido e os filhos ganhei vida”: Mafalda esteve às portas da morte mas mantém uma vida ativa
“Quero normalizar. Sou nova e posso continuar a sentir-me bonita”, diz Mafalda Abreu.
Mafalda Cancela de Abreu aos 38 anos deu entrada no hospital com uma gripe A. Esteve entre a vida e a morte. Sobreviveu mas foi submetida a várias amputações. No início de dezembro de 2023, uma viagem aos mercados natalícios não fazia prever que o Natal seria a lutar pela vida. Primeiro um diagnóstico medicado para a gripe A. Os dias seguintes trouxeram febre alta, dificuldade em respirar e uma perda progressiva de forças. “Pedi um padre, porque eu sabia que ia morrer”, conta.
A infeção evoluiu rapidamente para uma pneumonia bilateral e, depois, para uma sépsis. O quadro agravou-se com um choque séptico que provocou a falência de vários órgãos. Nos cuidados intensivos, foi colocada em ventilação mecânica e, mais tarde, ligada a ECMO, um equipamento que substitui temporariamente os pulmões. “O médico disse-me que nunca tinha visto pulmões com tanto líquido como os meus”, recorda. A família recebeu o pior dos prognósticos no Natal. “Disseram-lhes que havia 10% de probabilidade de eu sobreviver mas, na verdade, pensavam que era apenas 1%.”
Enquanto a equipa médica lutava para a salvar, a circulação sanguínea foi sendo desviada para os órgãos vitais, comprometendo as extremidades, devido à medicação. As amputações tornaram-se inevitáveis. Mafalda perdeu a perna direita abaixo do joelho, todos os dedos do pé esquerdo, o polegar da mão esquerda e parte de outros dedos. Despertou do coma no último dia de 2023, sem memória do que tinha acontecido. O início da recuperação aconteceu quando voltou a ver a família por videochamada. “Quando vi os filhos e o marido, ganhei vida”, diz. Hoje pratica padel, vai à praia e faz questão de manter uma vida ativa. “Quero normalizar. Sou nova e posso continuar a sentir-me bonita.”
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