Quentes e boas: vamos comer castanhas?

O cheiro e o fumo que saem dos assadores não deixam ninguém indiferente. Comemore o São Martinho bem acompanhado.

10 de novembro de 2016 às 21:30
quentes e boas, castanhas, são martinho, outono, magusto Foto: Direitos Reservados
Partilhar

A castanha, mais do que um alimento, marca o calendário. Sinónimo de chuva, frio e lareira, é também o ponto alto dos magustos celebrados pelo verão de S.Martinho.

No calendário litúrgico, o dia de S. Martinho celebra-se a 11 de novembro, data em que o santo foi a enterrar em Tours, França. Nascido em cerca de 316 na Panónia, uma antiga província fronteira do Império Romano, na atual Hungria, era filho de um comandante romano e cresceu em Pavia, Itália.

Pub

Apesar da educação pagã, descobriu o cristianismo em adolescente, tornou-se discípulo de Santo Hilário e fundou o mais antigo mosteiro conhecido da Europa, na região de Ligugé. Milagreiro,morreu a 8 de novembro de 397, foi sepultado três dias depois em Tours. É nesta data que se celebra o dia que lhe é dedicado.Acredita-se que o sol aparece, na voz popular o ‘verão de S. Martinho’, o que é associado à lenda de que o santo, após ter oferecido as suas vestes a mendigos, e tolhido pelo frio, viu as nuvens negras desaparecerem e os raios de sol surgirem.

O dia é celebrado pela Europa, no entanto a tradição varia. Em Portugal vive-se com magusto, água-pé, jeropiga e prova de vinho novo.

A tradição do magusto tem origem na celebração do Dia de Todos os Santos, data em que no passado se faziam fogueiras, talvez o vestígio de um antigo sacrifício, nas quais se assavam castanhas que, reza a lenda, eram depois deixadas nas mesas para os defuntos da família comerem. Os anos passaram, deixemos as narrativas para as histórias à volta do fogo e desfrutemos do saboroso fruto.

Pub

Feiras em Valpaços e Marvão

Nos largos do Terreiro, de Santa Maria, do Pelourinho e do Espírito Santo, estarão situados quatro magustos, com mais de dois mil litros de vinho da região e cinco toneladas de castanhas, à disposição. Há ainda artesanato e música. É nas feiras que a castanha fica mais em conta no que se refere aos preços. Nas grandes superfícies, o quilo ronda os cinco euros, mas há que assá-las ou cozê- las, em casa. Na rua, a dú- zia custa dois euros.

Um dos maiores produtores com qualidade de reconhecida

Pub

A nível mundial, a China domina, com um valormédio a rondar os dois milhões de toneladas – dez vezes mais do que a produção da Europa. Segundo um estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, conduzido por José Gomes Laranjo, estima-se que a castanha possa valerpor ano cerca de 70 milhões de euros, valor pago à produção, podendo ainda movimentar cerca de 30 milhões em fatores de produção. A seguir à pera-rocha, é o fruto com maior exportação, alcançando perto de 60 milhões de euros.

Quanto a áreas de produ- ção de castanheiro para fruto, verifica-se uma duplicação em apenas dez anos, passando de 15 mil hectares em 1990 para 30 mil em 2000. No ano passado, a área estava calculada em 36 mil hectares. A performance só é possível por, entre outros fatores, a produção portuguesa ser baseada em variedades nacionais – em particular Longal, Judia, Martainha e Colarinha –, o que constitui um fator de marca identitária.

As áreas de produção mais representativas são Bragança, Vinhais, Valpaços e Trancoso. Existem quatro Denominações de Origem Protegida (DOP): Castanha da Terra Fria; Castanha dos Soutos da Lapa, Castanha da Padrela e Castanha de Marvão-Portalegre.

Pub

Um fruto saudável

Outono faz lembrar castanhas e quem é que resiste ao cheirinho de castanhas de rua acabadinhas de assar? Mas para aproveitarmos este alimento da época sem peso na consciência, o melhor é ficarmos a conhecê-lo melhor! A castanha é um alimento do grupo dos cereais, derivados e tubérculos. É um fruto amiláceo, pela sua riqueza em amido que é um hidrato de carbono complexo, ou seja, de absorção lenta. A sua riqueza em hidratos de carbono complexos, torna a castanha semelhante, a nível nutricional, aos restantes alimentos deste grupo (arroz, massa, batata e pão), o que permite estabelecer equivalências alimentares. É, ainda, um alimento com pouquíssima gordura e que possui quantidades apreciáveis de minerais como potássio e magnésio, de vitamina C, B1 e B2, mas, também, de fibra, fundamental para o bom funcionamento do intestino e por ajudar a controlar o apetite. Além disso, possui quantidades consideráveis de proteína de elevado valor biológico para um alimento de origem vegetal.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar