Quimioterapia sem controlo

Há muitos doentes de cancro que estão actualmente a fazer tratamento de quimioterapia sem o devido acompanhamento de um oncologista. A falta da supervisão por um especialista pode prejudicar a qualidade da terapêutica e a segurança do paciente. <br/><br/>

02 de setembro de 2011 às 00:30
QUIMIOTERAPIA, HOSPITAL, MÉDICOS, SAÚDE, CANCRO Foto: Katarina Stoltz/Reuters
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O alerta é feito ao Correio da Manhã por Jorge Espírito Santo, presidente do Colégio da Especialidade de Oncologia Médica da Ordem dos Médicos.

"Esta é uma situação que não é aceitável e que a Ordem dos Médicos tem denunciado, publicamente e à tutela, mas continuamos a ter no País doentes a fazer quimioterapia sem um oncologista", sublinha Jorge Espírito Santo.

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Segundo o especialista, o problema, que se arrasta há anos, deve-se à "falta de um planeamento", e a anunciada rede de referenciação oncológica tarda em concretizar-se.

"Estou convicto de que a reforma hospitalar que está a ser preparada pelo grupo de trabalho criado por este Ministério da Saúde irá incluir a oncologia, tal como todas as outras especialidades médicas. Já há estudos feitos, documentos preparados, e seria uma perda se esse trabalho não fosse aproveitado", sublinha o oncologista, acrescentando desconhecer se o trabalho irá avançar ou se foi, entretanto, suspenso.

A rede de referenciação oncológica irá determinar quais as unidades mais adequadas para tratar determinado cancro num doente de certa localidade.

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É que a falta dessa rede de referenciação nacional leva a que os doentes tenham de se deslocar muitos quilómetros para fazer radioterapia num hospital e quimioterapia noutra unidade.

Há casos de doentes que têm de percorrer mais de 200 quilómetros para fazer radioterapia, por exemplo. Mas não só. Jorge Espírito Santo sublinha que os oncologistas especializados em tratar determinados cancros também estão dispersos.

ONZE HOSPITAIS PÚBLICOS COM RADIOTERAPIA

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A radioterapia existe nos três Institutos Portugueses de Oncologia (IPO) – em Lisboa, no Porto e em Coimbra – e nos hospitais públicos de Vila Real (Centro Hospitalar de Trás-os--Montes e Alto Douro), do Porto (São João), de Coimbra (Hospitais da Universidade), Santarém, Lisboa (Santa Maria) e Barreiro (Nossa Srª do Rosário).

No Alentejo, há radioterapia no Hospital de Évora (Espírito Santo). Em Faro, também há radioterapia, numa instituição em parceria com o hospital.

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