Quinze pessoas assistidas no Hospital de Leiria por intoxicação com origem em geradores
Comando Territorial de Leiria lembra que, em caso de lareiras e braseiros, "a ventilação é vital", pedindo aos cidadãos que deixem "sempre uma fresta numa janela".
Quinze pessoas deram entrada no Hospital de Santo André, em Leiria, por intoxicação com monóxido de carbono com origem em geradores, após a depressão Kristin, disse este domingo à agência Lusa fonte hospitalar.
De acordo com a mesma fonte, os dados referem-se a ocorrências desde quarta-feira, quando a depressão Kristin atingiu o país e, mais gravemente, a região de Leiria.
As situações têm origem em uso de geradores no interior de habitações, caves ou garagens.
Este domingo de madrugada, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador, afirmaram fontes da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Proteção Civil.
De acordo com o Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria, o alerta para a ocorrência, na localidade de Segodim, União de Freguesias de Monte Real e Carvide, chegou às autoridades pelas 02:30.
Fonte do Comando Territorial de Leiria da GNR adiantou que a vítima tinha 74 anos.
O Município de Leiria lamentou a morte do idoso, reconhecendo que o recurso a geradores a combustão aumentou exponencialmente nos últimos dias, devido à falta de eletricidade na sequência da depressão Kristin e pelou para a tomada de medidas de prevenção no uso deste tipo de equipamentos.
Já na última noite, em Fervença, concelho de Alcobaça (Leiria), uma intoxicação com origem num gerador afetou nove pessoas, cinco das quais em estado grave, afirmou este domingo o comandante dos Bombeiros Voluntários locais.
Segundo Leandro Domingos, tratou-se de uma "intoxicação com monóxido de carbono, na noite de ontem [sábado], porque tinham um gerador dentro da habitação".
As vítimas têm idades compreendidas entre os 22 e 65 anos, tendo sido transportadas para as unidades hospitalares de Alcobaça e Leiria.
Nas redes sociais, a GNR de Leiria alerta que com o frio se procura o conforto das lareiras e, em caso de falha de energia, se recorre a geradores, mas ambos "podem libertar monóxido de carbono, um gás altamente tóxico, sem cheiro, cor ou sabor, que pode ser fatal".
O Comando Territorial de Leiria lembra que, em caso de lareiras e braseiros, "a ventilação é vital", pedindo aos cidadãos que deixem "sempre uma fresta numa janela".
Por outro lado, salienta a necessidade de limpeza de chaminés, pois "uma chaminé obstruída faz com que os gases tóxicos recuem para dentro de casa", apelando para que se apaguem sempre as brasas antes de dormir.
Quanto aos geradores, estes devem estar sempre no exterior, nunca o ligando "dentro de casa, na garagem ou em anexos, mesmo com janelas abertas".
Neste caso, tem de ser observada uma distância de segurança, sendo que "o escape deve estar a pelo menos seis metros de distância de qualquer entrada de ar da habitação", além de que deve ser confirmado que o fumo do gerador não está a ser empurrado para o interior da casa.
Os sinais de intoxicação são "dores de cabeça, tonturas, náuseas, confusão ou sonolência súbita" e, se tal suceder, o apelo aos cidadãos é para que saiam imediatamente para o ar livre e liguem para o 112.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo até 08 de fevereiro.
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