Reações à morte de Mariano Gago

Funeral de Mariano Gago marcado para sábado às 12h00.

17 de abril de 2015 às 20:19
mariano gago Foto: Miguel A. Lopes/Lusa
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O antigo ministro da Ciência e do Ensino Superior Mariano Gago morreu esta sexta-feira, em sua casa, em Lisboa, aos 66 anos, vítima de cancro

Deixa um "vazio muito grande na ciência"

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Arlindo Oliveira, presidente do IST

O presidente do Instituto Superior Técnico afirmou esta sexta-feira que a morte de Mariano Gago deixa "um vazio muito grande na ciência", considerando o antigo ministro uma "pessoa muito inteligente que sempre deu o seu melhor para servir o país".

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"Era uma pessoa muito inteligente, com uma grande visão, um grande espírito de missão e de serviço da ciência", disse à Lusa Arlindo Oliveira.

"Como ministro teve um papel totalmente definidor do que veio a ser a evolução científica em Portugal", sustentou Arlindo Oliveira, antigo aluno de Gago, que recordou como "excelente professor, um grande motivador, uma pessoa muito influente", ao definir a participação de Portugal na investigação internacional na área da física.

"Era uma inspiração, sempre deu o seu melhor para servir o país e a ciência", assinalou.

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"Um resistente à ditadura que mudou o paradigma da ciência em Portugal"

António Costa, secretário-geral do PS

O secretário-geral do PS afirmou esta sexta-feira que a morte de Mariano Gago constitui a perda de um resistente contra a ditadura, de "grande cientista" e de um governante "exemplar" que mudou o paradigma da ciência em Portugal.

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Numa declaração na sede nacional do PS, António Costa prestou homenagem em seu nome e do seu partido ao percurso de José Mariano Gago, destacando-o "enquanto dirigente académico como um resistente na luta contra a ditadura".

"Quero prestar homenagem ao grande cientista, ao visionário que em 1990 publicou uma obra fundamental - 'O manifesto para a ciência em Portugal' - e ao governante exemplar que, em três ocasiões, nos últimos 20 anos, assumiu a pasta da Ciência e do Ensino Superior. Mariano Gago mudou o paradigma da ciência em Portugal", frisou o líder dos socialistas.

"Académico ilustre" e um "homem que serviu o seu país".

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Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro

O primeiro-ministro disse, esta sexta-feira, que recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento de Mariano Gago, que considerou um "académico ilustre" e um "homem que serviu o seu país" em altos cargos de governação.

Numa mensagem enviada à agência Lusa, Pedro Passos Coelho refere que, "enquanto ministro da Ciência, e mais tarde ministro da Ciência e do Ensino Superior, desempenhou essas funções em quatro governos constitucionais, o que lhe permitiu deixar uma marca significativa na organização do Sistema Científico e Tecnológico Nacional".

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Para o primeiro-ministro, que dirige as suas condolências à família enlutada e aos seus colegas e amigos, Mariano Gago "teve indubitavelmente um papel pioneiro no desenvolvimento da política de ciência em Portugal e na internacionalização da investigação científica, projetos em que investiu toda a sua experiência e conhecimento".

Ex-ministro deixou "marca no sistema científico"

Paulo Portas, vice-primeiro-ministro

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O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, afirmou esta sexta-feira que o ex-ministro da Ciência, Mariano Gago, era uma pessoa que "respeitava intelectualmente", apesar das "discordâncias ideológicas", considerando que deixou uma "marca" no sistema científico.

"Obviamente e independentemente das discordâncias ideológicas e das divergências políticas era uma pessoa que eu respeitava intelectualmente e que deixou uma marca do ponto de vista do sistema científico", afirmou Paulo Portas, à margem do Fórum Internacional Comunidades Inteligentes e Sustentáveis, em Braga.

Personalidade que "representa muito para a ciência em Portugal"

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Nuno Crato, ministro da Educação

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, destacou Mariano Gago como "uma personalidade brilhante, esfuziante", que "representa muito para a ciência em Portugal".

Em declarações telefónicas à Lusa, a partir de Díli, Nuno Crato lembrou o antigo ministro da Ciência, que disse conhecer desde finais da década de 60, como "um homem que dedicou a sua vida ao desenvolvimento, à divulgação e à promoção da ciência em Portugal".

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Uma pessoa, sublinhou, "cuja atividade fica associada a um grande crescimento que a ciência teve" no país. Para o atual titular da pasta, Mariano Gago era, além de "um cientista reputado e um orador brilhante", uma pessoa com quem era "agradável de estar" e com quem tinha "conversas estimulantes".

"Penso que a Europa perde um grande cientista e Portugal um grande homem"

Carlos Moedas, comissário Europeu da Investigação, Ciência e Inovação

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O Comissário Europeu da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, afirmou, esta sexta-feira, que recebeu com "grande choque" a notícia da morte de Mariano Gago e que Portugal e a Europa perderam um grande homem e cientista.

"É com grande choque que recebo esta notícia. Penso que a Europa perde um grande cientista e Portugal um grande homem", disse Carlos Moedas, contactado por telefone pela agência Lusa.

Nas declarações à Lusa, Carlos Moedas recordou que, quando iniciou funções como comissário europeu, o professor Mariano Gago "foi uma grande ajuda".

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"Foi a primeira pessoa que me falou de um projeto europeu no Médio Oriente, na Jordânia, um projeto de paz que é um acelerador de partículas, de seu nome Sésamo, e foi ele a primeira pessoa que me falou desse projeto e que a União Europeia devia estar mais envolvida", recordou.

Segundo o comissário, a União Europeia pediu o estatuto de observador naquele projeto e "tudo isso de uma ideia inicial do professor Mariano Gago".

"Era um homem que olhava para a ciência, não só pela ciência, mas também pela paz e numa ciência que constrói pontes entre os povos. Perdemos realmente um grande homem", sublinhou.

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Cientista "internacionalmente reconhecido" com "contributo excecional" para o desenvolvimento científico

António Guterres, antigo primeiro-ministro

O antigo primeiro-ministro António Guterres manifestou-se, esta sexta-feira, "profundamente chocado" com a morte de Mariano Gago, destacando a sua "coragem" na luta contra a ditadura, o cientista "internacionalmente reconhecido" e o seu "contributo excecional" para o desenvolvimento científico.

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"Acabado de chegar a Washington, fiquei profundamente chocado com a notícia da morte de José Mariano Gago", começou por referir o ex-primeiro-ministro e ex-secretário-geral do PS e alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, numa nota enviada à agência Lusa.

"Inestimável contributo para a ciência, tecnologia e a cultura científica em Portugal"

Fundação para a Ciência e Tecnologia

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A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) lamentou esta sexta-feira, com "profundo pesar", a morte do antigo ministro Mariano Gago, destacando o seu "inestimável contributo para a ciência, tecnologia e a cultura científica em Portugal".

A FCT refere, ainda, numa curta mensagem, que se "associa à comunidade científica na prestação de uma sentida homenagem" ao cientista, ao antigo ministro da Ciência e ao ex-presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, precursora da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Na página da Internet da FCT, pode ler-se "José Mariano Gago 1948-2015", sob fundo negro.

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"Foi durante o seu percurso como ministro que a ciência mais se desenvolveu"

A Federação Nacional de Educação (FNE) lamentou, esta sexta-feira, a morte do antigo ministro da Ciência e Ensino Superior Mariano Gago, afirmando que "foi durante o seu percurso como ministro que a ciência mais se desenvolveu".

Em comunicado, a FNE declarou que "foi com enorme pesar" que tomou conhecimento da morte de Mariano Gago, aos 66 anos.

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"Enquanto governante assumiu um conceito estratégico relativo ao desenvolvimento da Ciência em Portugal e foi durante o seu percurso, como ministro, que a ciência mais se desenvolveu. Se é certo que a ciência se faz através dos investigadores é de qualquer forma relevante a intervenção conceptual e normativa assumida pelo professor Mariano Gago", afirma-se no documento.

Recordando o interlocutor "interessado e rigoroso" nas negociações com os sindicatos, a FNE lembra que foi com Mariano Gago que foi "possível obter importantes compromissos, nomeadamente, o acordo relativo aos Estatutos de Carreira do Ensino Superior e do Ensino Politécnico".

"O político e amigo da ciência"

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Carlos Fiolhais, físico

O físico Carlos Fiolhais destacou Mariano Gago, que morreu, esta sexta-feira aos 66 anos, como "o político e amigo da ciência", que tornou o setor conhecido e reconhecido em Portugal e no estrangeiro.

"Comunicou a ciência de modo a sociedade mudar. Foi o político da ciência, foi ele que pôs a ciência na governação", sustentou à Lusa o docente, assinalando que "há um Portugal antes e depois" do antigo ministro.

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"Antes, a ciência era pouca, pouco conhecida e reconhecida. Depois dele, há mais ciência, que é conhecida e reconhecida, tanto no país como no mundo", afirmou.

"Portugal perde uma das personalidades mais marcantes da vida científica"

Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República

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O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, enviou, esta sexta-feira uma mensagem de condolências à família do professor José Mariano Gago, que morreu, frisando que Portugal perde "uma das personalidades mais marcantes da sua vida científica e cultural".

"Ao tomar conhecimento do falecimento do professor José Mariano Gago, envio à família enlutada as minhas mais sentidas condolências", refere uma nota publicada na página oficial da Presidência da Republica na Internet.

A mensagem do chefe de Estado refere ainda que o professor Mariano Gago foi um "aluno brilhante do Instituto Superior Técnico, doutorado em Física pela Universidade de Paris, que cedo se notabilizou como um dos mais notáveis cientistas da sua geração".

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"A par desta carreira como investigador de excelência, José Mariano Gago distinguiu-se como uma das figuras cimeiras da política científica da democracia portuguesa", salienta.

Nas condolências enviadas à família do professor Mariano Gago, o Presidente da República diz que "dirigiu as mais importantes instituições de promoção da atividade científica e tecnológica, sendo mais tarde Ministro da Ciência e da Tecnologia do XIII e do XIV Governos Constitucionais e Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do XVII e do XVIII Governos Constitucionais".

Realçou ainda que, "em larga medida devido ao seu dinamismo, a ciência portuguesa registou um impulso notável nas últimas décadas, conquistando um nível ímpar de internacionalização e uma enorme difusão junto dos portugueses".

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"Além de homem de ciência e cultura, José Mariano Gago foi, desde jovem, um cidadão exemplar pelo empenho demonstrado na defesa intransigente dos valores da liberdade e da democracia", frisa a nota.

Em Portugal, destaca a mensagem, "muito devem várias gerações de investigadores dos mais diversos ramos do saber e do conhecimento" ao professor Mariano Gago.

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