“Rejeitem os apelos do orgulho e do poder”
Tem sido assim desde há uma semana, quando Bento XVI anunciou o fim do pontificado para o final deste mês. Em cada discurso ou homilia, uma lança apontada aos pecados internos.
Ontem, na oração do Angelus, naquela que foi a antepenúltima aparição pública do papa alemão, e que juntou na praça de S. Pedro mais de cem mil fiéis, voltaram os recados para dentro da Igreja.
"Rejeitem os apelos do egoísmo e do orgulho, do dinheiro e do poder", disse Bento XVI, sublinhando que "o núcleo central das tentações consiste em instrumentalizar Deus para os próprios fins, sempre ligados ao sucesso e aos bens materiais".
Mas o papa voltou também a lembrar a urgente necessidade de renovação na Igreja, apelando aos seus membros que se recentrem na fé e em Deus. "A Igreja, que é mãe e mestra, chama todos os seus membros a renovar-se no espírito, a reorientar-se decididamente para Deus, renegando o orgulho e o egoísmo para viver no amor" disse o papa, sempre muito aplaudido pela multidão que o escutava.
Na mensagem dirigida em várias línguas, o Sumo Pontífice pediu aos católicos que continuem a rezar pela Igreja e pelo novo papa: "Suplico-vos que continueis a rezar por mim e pelo próximo Papa, bem como pelos exercícios espirituais que vou começar esta tarde com os membros da Cúria Romana".
Bento XVI vai passar toda esta semana em retiro, com os cardeais que trabalham em Roma, voltando a aparecer em público apenas no Angelus do próximo domingo. Por isso, a oração de ontem foi encarada pelos fiéis como momento de despedida. "Obrigado. Onde estejas, estaremos sempre contigo", podia ler-se num dos muitos cartazes por entre a assistência. Um outro recordava a grande frase dita por Bento XVI na primeira homilia como papa, a 19 de abril de 2005: "Obrigado, humilde trabalhador da vinha do Senhor."
Da janela do Palácio Apostólico, visivelmente emocionado, o Santo Padre agradecia às gentes, sublinhando "a gratidão e as orações de todos".
SECRETÁRIO ACOMPANHA BENTO XVI
O secretário pessoal do papa, Georg Gaenswein, vai acompanhar Bento XVI na sua estada em Castel Gandolfo, e passará a residir também no mosteiro das irmãs de clausura, para onde o papa deve mudar-se em abril.
O atual arcebispo, de 56 anos, continuará, no entanto, a liderar a Casa Pontifícia, após a eleição do novo sucessor de Pedro, o que está a levantar alguma polémica.
Alguns observadores dizem que o facto de Gaenswein permanecer nos dois cargos pode criar a ideia de que o seu papel passa sobretudo por um exercício de influência entre os dois papas.
"AGRADA-ME O BISPO DE MANILA": D. António Marto, bispo da diocese de Leiria-Fátima
Correio da Manhã - Quem gostava de ver eleito papa?
D. António Marto - Veria com bons olhos a escola do arcebispo de Manila, D. Luís António Tagle, que se está a impor no mundo asiático e é amado pelo povo. É um cardeal com 55 anos, mas de grande capacidade intelectual e pastoral. Mas Deus é que sabe.
- O que mais marcou o pontificado de Bento XVI?
- Sem dúvida a forma frontal e corajosa como combateu o horrível flagelo da pedofilia no interior da Igreja.
- Que recordações guarda deste seu antigo professor?
- No essencial, a enorme felicidade que sentiu quando esteve em Fátima, e como ficava grato quando lhe levava uma garrafa de vinho do Porto. Dizia que era o único que lhe fazia bem.
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