Rendas de Bilros de Vila do Conde obtêm proteção geográfica na União Europeia
Associação considera que se trata de um "marco histórico na valorização e defesa das Rendas de Bilros de Vila do Conde".
As Rendas de Bilros de Vila do Conde foram inscritas no Registo da União Europeia das Indicações Geográficas de produtos artesanais e industriais, passando a beneficiar de proteção jurídica nos 27 Estados-membros.
A Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC), responsável pelo processo, revelou esta sexta-feira ter recebido a comunicação oficial da decisão, datada de 08 de outubro, que estabelece 12 de janeiro de 2026 como o primeiro dia de proteção da denominação a nível europeu.
Em comunicado, a associação considera que se trata de um "marco histórico na valorização e defesa das Rendas de Bilros de Vila do Conde", permitindo reforçar a proteção do nome, da autenticidade e da ligação desta produção artesanal ao território.
O reconhecimento, concedido ao abrigo do Regulamento (UE) 2023/2411, permite combater a utilização comercial indevida da denominação e o aproveitamento da reputação do produto, contribuindo para a valorização das rendas certificadas e para uma maior confiança dos consumidores.
A decisão representa a passagem para o âmbito europeu da Indicação Geográfica de que as Rendas de Bilros de Vila do Conde já beneficiavam a nível nacional, após a adaptação do respetivo estatuto ao novo enquadramento legislativo.
O reconhecimento europeu surge numa altura em que está igualmente em curso o processo de inscrição desta tradição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI).
A ADAPVC revelou ter remetido recentemente ao Património Cultural, IP, o dossiê de instrução da candidatura, que aguarda apreciação, com a expectativa de que a classificação possa concretizar-se em breve.
A documentação resulta de um trabalho de investigação e participação comunitária, cofinanciado pelo programa Norte 2030, que reuniu informação sobre a história das rendas, técnicas, instrumentos, materiais, padrões e formas de transmissão deste conhecimento.
O processo envolveu diretamente as rendilheiras e a comunidade local, procurando preservar os saberes associados a uma atividade artesanal com vários séculos de tradição em Vila do Conde.
A associação sublinha que os dois reconhecimentos são complementares, uma vez que a Indicação Geográfica Europeia protege a denominação e a origem territorial do produto, enquanto a inscrição no inventário nacional pretende salvaguardar os conhecimentos e práticas que asseguram a continuidade da tradição.
Para a ADAPVC, o registo europeu representa o culminar de mais uma etapa de um trabalho desenvolvido ao longo de décadas, abrindo "novas perspetivas para a sua valorização e afirmação além-fronteiras".
A entidade destaca ainda o papel das sucessivas gerações de rendilheiras que preservaram e transmitiram este saber-fazer, mantendo-o como uma das manifestações da identidade cultural de Vila do Conde.
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