Resgate de seis pessoas em Gavião e Nisa por subida do caudal do Rio Tejo
No espaço de uma hora, as águas subiram de tal forma e atingiram um metro e meio de altura.
Quatro pessoas foram esta quinta-feira resgatadas e outras duas vão ser retiradas de barco de zonas ribeirinhas de dois concelhos do distrito de Portalegre, devido à subida do caudal do Rio Tejo, revelaram os autarcas desses municípios.
Na zona ribeirinha junto à Praia Fluvial do Alamal, concelho de Gavião, indicou à agência Lusa o presidente da câmara, António Severino, foi necessário retirar um casal de idosos de uma casa e dois hóspedes de uma pousada.
"No espaço de uma hora, as águas subiram de tal forma que atingiram um metro e meio de altura", relatou, adiantando que o bar e o restaurante desta pousada, que está concessionada a privados, "ficaram totalmente danificados".
Segundo o autarca, o casal de idosos, um deles acamado, foi realojado nas instalações de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) do concelho, enquanto os hóspedes da pousada não precisaram de realojamento.
Já no concelho de Nisa, dois cidadãos estrangeiros que têm uma quinta nas imediações da ponte sobre o Rio Tejo, junto à fronteira com Vila Velha de Ródão, distrito de Castelo Branco, vão ser auxiliados por barco esta tarde, indicou à Lusa o presidente do município, José Dinis Serra.
"Temos o apoio da corporação de bombeiros de Ponte de Sor com um barco para retirar as duas pessoas, que poderão ter sido apanhadas desprevenidas pela elevação das águas", realçou o autarca.
O presidente da Câmara de Nisa explicou que a quinta onde vivem estes cidadãos estrangeiros, cuja nacionalidade, género e idade disse desconhecer, terá ficado isolada.
De acordo com o autarca, a subida do caudal do rio provocou ainda estragos no passadiço da Barca d'Amieira, e na própria barca, que "foi arrancada da estrutura de suporte e virou", e as instalações de apoio foram "pelo Tejo abaixo".
O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, pediu esta quinta-feira às populações das zonas ribeirinhas que abandonem as habitações e vão para locais seguros, alertando para as previsões de aumento intenso e rápido de caudal no Rio Tejo.
Falando aos jornalistas numa conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras, o responsável indicou que a velocidade e a intensidade de aumento de caudal do Rio Tejo não aconteciam desta forma desde 1997.
De acordo com o comandante, o fenómeno é explicado, por um lado, pelo facto de as barragens espanholas de Alcântara e Cedilho estarem "a debitar caudais muito elevados no Rio Tejo", cerca de sete mil metros cúbicos por segundo, e, por outro, as ocorrências para as bacias em Portugal, que poderão explicar caudais "na ordem dos 9 mil metros cúbicos por segundo".
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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