Residentes das ilhas passam a pagar valor final das viagens aéreas ainda este ano

Beneficiários do Subsídio Social de Mobilidade vão conseguir pagar diretamente os valores finais das viagens sem necessidade de reembolsos.

28 de janeiro de 2026 às 13:30
Aeroporto da Madeira Foto: João Cortesão
Partilhar

O Governo da Madeira disse esta quarta-feira ter a garantia de que será possível, ainda este ano, que os beneficiários do Subsídio Social de Mobilidade (SSM) paguem diretamente os valores finais das viagens aéreas, sem necessidade de reembolsos.

Segundo o secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, o executivo regional tem defendido sempre como objetivo o pagamento da tarifa líquida, sem a necessidade de reembolsos como acontece atualmente, e o Governo da República garantiu que, ainda "no decorrer do ano 2026, esse objetivo seria alcançado".

Pub

O governante madeirense falava na comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação da Assembleia da República, no âmbito da apreciação de um projeto de lei do PCP para alterar o regime do SSM pago aos residentes da Madeira e dos Açores nas viagens de avião.

O grupo parlamentar do PCP, que não esteve representado na audição, propõe que os beneficiários paguem diretamente os preços definidos pelo SSM, deixando de pagar o valor total para posteriormente serem reembolsados, como acontece atualmente.

O projeto de lei do PCP retira ainda os tetos máximos e prevê que a companhia aérea ou os agentes de viagens solicitem ao Estado o pagamento do valor correspondente ao SSM, assim como confiram se os passageiros são elegíveis para usufruir do subsídio.

Pub

Na terça-feira, também numa audição na comissão parlamentar de Infraestruturas e Mobilidade, foram ouvidos representantes das companhias aéreas Easyjet, TAP e SATA, que se opuseram ao projeto de lei, defendendo que o SSM é uma responsabilidade do Estado e o ónus não deve ser colocado nas empresas.

Esta quarta-feira, Eduardo Jesus defendeu que as companhias aéreas já "marcaram a sua posição", sublinhando que cabe ao Governo da República encontrar uma solução que não as prejudique.

O governante reforçou que as companhias têm de ser sempre ouvidas, realçando que a Easyjet deixou "um aviso sério" de que deixará de operar voos domésticos entre a Madeira e o continente caso a proposta do PCP seja aprovada.

Pub

"Não podemos aceitar uma solução que ponha em causa a oferta de lugares", salientou.

O secretário regional referiu também que entregou como referência o modelo do programa "Estudante Insular", aplicado pelo executivo madeirense (PSD/CDS-PP), que permite que os estudantes façam quatro viagens de ida e volta por ano pagando apenas o valor líquido da passagem, sem necessidade de adiantamentos. O remanescente da viagem é depois pago à companhia, num prazo de 15 dias, pelo Governo Regional.

Eduardo Jesus remeteu esclarecimentos sobre as dificuldades em chegar ao objetivo final para o Governo da República, mas disse não ter razões para desconfiar das garantias dadas de que os passageiros vão deixar de ter de pagar o valor total das passagens.

Pub

O responsável referiu igualmente que a nova plataforma digital, que entrou em vigor este mês, foi considerada pelo executivo como um "passo intermédio", permitindo uma desburocratização do processo de reembolso.

Com esta ferramenta, os passageiros passam a poder pedir o reembolso sem se dirigir aos CTT e logo um dia após a compra do bilhete.

O subsídio de mobilidade garante passagens aéreas entre a Madeira e continente (ida e volta) a 79 euros para residentes e 59 euros para estudantes, mas implica o pagamento do bilhete na totalidade, até ao teto máximo de 400 euros, valor que por vezes é ultrapassado pelas companhias, sendo que o reembolso é processado após a viagem.

Pub

No caso dos Açores, o valor máximo pago é de 119 euros para residentes no arquipélago e 89 para estudantes, havendo um limite de 600 euros no custo elegível da passagem e sendo também necessário pagar primeiro a totalidade do valor no ato de compra.

Também entre a Madeira e os Açores os residentes e estudantes pagam o valor total do bilhete, sendo depois reembolsados, permitindo que as viagens não ultrapassem os 79 e os 59 euros, respetivamente.

A Agência Nacional de Aviação Civil, também esta quarta-feira ouvida na Assembleia da República, considerou que o projeto de lei do PCP para alterar o regime do Subsídio Social de Mobilidade para residentes na Madeira e nos Açores pode representar um retrocesso e colocar em causa ligações.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar