Saúde vê sinais positivos no concurso de médicos apesar de 20% de vagas por preencher
Em causa estava um total de 2.331 vagas iniciais disponibilizadas para as várias especialidades a ocupar nas unidades do SNS que vão receber os novos médicos.
A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) considera que os três médicos a mais que entraram no concurso de internato em relação ao ano passado são um sinal positivo, apesar de 20% de vagas terem ficado por preencher.
Em comunicado, este instituto público que executa as orientações do Ministério da Saúde indicou este domingo que, "mesmo com uma redução da taxa global de ocupação" de 86% (em 2024) para 80% (em 2025), "há vários sinais positivos sólidos no concurso" deste ano.
Um deles, especificou, é a colocação de mais três médicos em 2025 (1.854) do que em 2024 (1.851).
"É um aumento real da capacidade formativa e do número de médicos em especialidade", lê-se na nota.
Outros sinais positivos foram as 33 especialidades que atingiram este ano os 100% de ocupação e as 21 especialidades que aumentaram o número de colocados.
"Os resultados de 2025 evidenciam um reforço real de profissionais, uma sólida estabilidade na maioria das especialidades e progressos concretos em várias áreas prioritárias, contribuindo para a consolidação da formação médica especializada em Portugal", indicou a ACSS.
Outra leitura tem a Ordem dos Médicos, para quem os 20% de vagas que ficaram por preencher no concurso do internato demonstram a "crise estrutural" que se verifica em especialidades essenciais para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Em comunicado, a Ordem apontou hoje os exemplos da medicina geral e familiar (médicos de família), da medicina interna e da medicina intensiva para salientar que os dados do concurso que terminou no sábado "revelam um agravamento de vagas não preenchidas em especialidades essenciais" no serviço público.
"É evidente que o SNS enfrenta uma crise de recrutamento nas especialidades essenciais e que se agrava ano após ano. As regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Norte são as mais afetadas", salienta.
Perante estes indicadores, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) alertou para a incapacidade do SNS em fixar esses profissionais.
"Isto confirma uma tendência que já tínhamos identificado: que o Serviço Nacional de Saúde continua a perder capacidade de atrair e fixar médicos mesmo numa fase tão precoce como a escolha da especialidade, apesar do número elevado de vagas abertas", adiantou à Lusa a presidente da federação sindical.
Em causa estava um total de 2.331 vagas iniciais disponibilizadas para as várias especialidades a ocupar nas unidades do SNS que vão receber os novos médicos, que iniciam a sua formação especializada a partir de 1 de janeiro de 2026.
Estavam em condições de escolher uma especialidade 2.375 médicos que terminaram a sua formação geral.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt