Sete pessoas retiradas de casa por risco de inundações em Torres Vedras
Com a subida do caudal dos rios Sizandro e Alcabrichel a coincidir com a maré cheia a partir das 16h00, estão previstas inundações.
Sete pessoas foram esta quarta-feira retiradas de casa em Dois Portos, no concelho de Torres Vedras, devido ao risco de inundação provocada pela subida do caudal dos rios, disse o vereador responsável pela Proteção Civil municipal.
"Estamos a alojar sete pessoas de Dois Portos no Centro Pastoral do Turcifal. Começam a chegar pedidos, há riscos elevados de inundação em vários pontos do concelho", afirmou à agência Lusa Diogo Guia, vereador da Câmara de Torres Vedras, no distrito de Lisboa.
Segundo o autarca, estão a ser preparados pavilhões, instalações de associações e entidades de solidariedade social na cidade e em várias freguesias do concelho para acolher eventuais desalojados ou pessoas retiradas temporariamente de casa.
O pavilhão da Escola São Gonçalo, na cidade, tem capacidade para 30 camas, o Centro Pastoral do Turcifal para 45 e as restantes associações das várias freguesias capacidade para outras 60.
Com a subida do caudal dos rios Sizandro e Alcabrichel a coincidir com a maré cheia a partir das 16h00, estão previstas inundações.
Nesse sentido, o município emitiu um aviso à população para a "adoção imediata de medidas preventivas", como a antecipação do regresso a casa e a permanência em locais seguros, cancelamento de todas as atividades desportivas, recreativas e ao ar livre, redução ao mínimo indispensável das deslocações e que se evite atravessar zonas ribeirinhas, áreas inundáveis e locais com risco de deslizamento de terras.
Dadas as previsões de precipitação persistente para as próximas horas, o autarca adiantou que todos os estabelecimentos de ensino vão estar encerrados na quinta-feira.
Entre as principais vias cortadas no concelho estão as estradas nacionais 9 - entre Torres Vedras e a freguesia da Ponte do Rol- e a 248, que liga Torres Vedras ao concelho de Sobral de Monte Agraço, em Dois Portos, devido à queda de um muro e consequente aluimento de terras.
Entretanto, devido a uma "avaria persistente e de difícil resolução nos sistemas de abastecimento", os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento interromperam o fornecimento de água nas freguesias de A-dos-Cunhados, Maceira, Silveira e Ponte do Rol e ainda nas localidades de Casais de Santo António e Folgorosa (Maxial e Monte Redondo), Coutada, Casal do Arneiro e Mosqueiro (São Pedro da Cadeira) e Fonte Grada, Ribeira de Pedrulhos e Casal da Broeira (Santa Maria, São Pedro e Matacães), afetando 13.091 clientes.
Também em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Alenquer, João Nicolau, adiantou que a Proteção Civil e os comerciantes estão a "pôr sacos de areia junto aos estabelecimentos" da baixa da vila e a retirar os bens, por se prever que o rio galgue as margens.
Ainda segundo o autarca, por precaução os utentes do centro de dia da Santa Casa da Misericórdia de Alenquer foram retirados, dada a proximidade das instalações ao rio, e as escolas do concelho vão estar encerradas na quinta-feira.
Já na Lourinhã, devido ao risco de transbordo do rio Grande nas zonas urbanas, sobretudo na sede de concelho, a Proteção Civil também tem colocado sacos de areia junto às portas de estabelecimentos comerciais e de habitações e a pedir à população para retirar veículos de zonas inundáveis, segundo relatou à Lusa o vice-presidente do município, António Gomes.
Os três municípios têm ativado o plano municipal de emergência dadas as condições climatéricas adversas.
Portugal continental está agora ser afetado pela depressão Leonardo, prevendo-se até sábado chuva persistente e por vezes forte, queda de neve, vento e agitação marítima forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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