Sindicato desafia construtoras a cederem operários qualificados para reconstrução das áreas afetadas pelo mau tempo
Sindicato da Construção de Portugal alerta para os perigos da reconstrução por operários não qualificados.
O Sindicato da Construção de Portugal alertou esta terça-feira para os perigos da reconstrução das áreas afetadas pelo mau tempo por operários não qualificados, defendendo que as grandes empresas do setor se articulem e cedam trabalhadores para assegurar os trabalhos.
"O que podia e devia acontecer era os empresários de grande dimensão juntarem-se todos na associação [patronal] e decidirem ceder [cada um] cinco, 10 ou 20 trabalhadores, e vão para lá operários qualificados", afirmou o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, em declarações à agência Lusa.
Salientando a importância de ter no terreno "gente que conhece bem o setor e sabe reconstruir com qualidade", o dirigente sindical alertou que, "se não houver cuidado, podem morrer mais pessoas a reconstruir telhados e outras coisas que foram danificadas".
"Porque é que aquelas pessoas morreram por estarem em cima dos telhados? E podem morrer outras mais. Se forem para lá pessoas que nunca trabalharam no setor - e é o que temos, infelizmente, em Portugal, porque faltam mais de 100.000 trabalhadores qualificados -- aquilo vai ser um perigo", avisou.
Certo de que "há empresários [da construção] que aceitariam" integrar um "movimento de solidariedade" com este objetivo, Albano Ribeiro garantiu conhecer "mais de 20 empresas capazes de o fazer".
Antecipando que "para reconstruir tudo o que está destruído", desde fábricas a habitações, "serão precisos no mínimo 100 trabalhadores", o presidente do sindicato salientou que o setor continua a sofrer um grave problema de falta de mão de obra qualificada, porque "não há ninguém a formar trabalhadores", sejam carpinteiros, pintores ou manobradores.
E, sendo já Portugal "um país de passagem" de trabalhadores imigrantes, o recente anúncio da regularização extraordinária de 500.000 imigrantes que vivem de forma irregular em Espanha poderá atrair ainda mais operários para o outro lado da fronteira.
A agência Lusa noticiou esta terça-feira que 20 trabalhadores de uma empresa de engenharia e construção de Felgueiras estão a ajudar a reparar telhados na Boa Vista, uma localidade a 10 quilómetros de Leiria onde muitas casas ficaram sem telhas e ainda há falhas de energia e de comunicações.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo e Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2.500 milhões de euros.
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