Sociedade de Gastrenterologia denuncia recusa de hospitais na dispensa de fármacos biológicos

Em causa está o cumprimento da portaria n.º 261/2024.

30 de junho de 2026 às 18:33
Medicamentos Foto: Direitos Reservados
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A presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) alertou esta terça-feira que alguns hospitais continuam a recusar a dispensa de medicamentos biológicos prescritos por médicos do setor privado, apesar de a lei o permitir desde o final de 2024.

Em causa está o cumprimento da portaria n.º 261/2024, que estabeleceu que a prescrição de medicamentos biológicos comparticipados para a doença de Crohn e colite ulcerosa pudesse ser também feita por profissionais de saúde de hospitais privados.

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"Era uma situação de desigualdade porque se eles tivessem uma outra doença, que não fosse uma doença do intestino, eles podiam ir a uma consulta no privado. Era prescrito e eles obtinham essa medicação a partir de hospitais das farmácias e dos hospitais públicos", explicou à agência Lusa a presidente da SPG, Marília Cravo.

No entanto, apesar das alterações terem entrado em vigor há quase dois anos, Marília Cravo deu conta de que alguns hospitais públicos estão a recusar dispensar fármacos biológicos que não sejam prescritos por médicos dessa unidade, nomeadamente o Hospital Beatriz Ângelo (HBA), no concelho de Loures (distrito de Lisboa), e no Garcia de Orta, concelho de Almada (distrito de Setúbal).

"Existem determinados hospitais, entre os quais, infelizmente, o Hospital Beatriz Ângelo, que ainda na semana passada recusaram entregar um medicamento biológico a um doente seguido no privado", indicou.

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Segundo Marília Cravo, o doente, que já tinha sido acompanhado naquele hospital, recebeu uma receita para um medicamento biológico após recorrer ao setor privado devido ao adiamento da consulta hospitalar, mas a farmácia recusou a dispensa por a prescrição não ter sido emitida por um médico da unidade.

"Tive de falar com uma colega de lá para resolver a situação", relatou.

No mesmo sentido, a presidente da SPG deu conta de dificuldades também no Hospital Garcia de Orta, onde alguns utentes foram confrontados com um desconhecimento do diploma legal.

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"Têm que imprimir o decreto-lei e voltar lá uma segunda vez. Às vezes dizem 'eu não concordo com isso', mas não têm que concordar ou deixar de concordar. É um decreto-lei é para cumprir", sublinhou.

A Lusa contactou fonte dos hospitais Beatriz Ângelo e Garcia de Orta que negaram estar em incumprimento, assegurando estar a dispensar fármacos biológicos prescritos por médicos de unidades de saúde privada.

"O Hospital Beatriz Ângelo assegura, sim, a dispensa de medicamentos biológicos a doentes com prescrição realizada por médicos de outras unidades de saúde publicas ou privadas, em conformidade com a legislação em vigor", indicou fonte da unidade hospitalar.

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A mesma fonte acrescentou que a dispensa é também efetuada "em regime de proximidade, facilitando o acesso à terapêutica, a doentes que residam fora" da área de influência do HBA.

No mesmo sentido, fonte do Hospital Garcia de Orta assegurou que está a dispensar fármacos biológicos, "seguindo os protocolos terapêuticos existentes na instituição".

A presidente da SPG criticou ainda o facto de alguns hospitais não disponibilizarem versões subcutâneas de determinados medicamentos biológicos, obrigando "doentes jovens e ativos" a deslocarem-se periodicamente ao hospital para administração intravenosa.

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"São situações de desigualdade no tratamento de pessoas com doenças crónicas que têm que ser ultrapassadas e que têm que ser denunciadas", sustentou.

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