SPMS admitem falhas na plataforma de vacinação, mas dizem que programa nunca esteve em causa
Esclarecimento dos SPMS surge na sequência do alerta feito na sexta-feira pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) para as "falhas sucessivas" no sistema.
Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) reconheceram este sábado constrangimentos na plataforma de gestão de vacinação, devido à "elevada pressão" no início da campanha sazonal, mas asseguram que o programa de vacinação nunca esteve em causa.
"A elevada pressão decorrente do início da campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a covid-19, que começou no dia 30 de setembro, causou constrangimentos no funcionamento da plataforma nacional de suporte à vacinação, o VACINAS 2.0. No entanto, o programa de vacinação nunca esteve causa", afirmam os SPMS numa resposta à Lusa.
O esclarecimento dos SPMS surge na sequência do alerta feito na sexta-feira pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) para as "falhas sucessivas" no sistema.
Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde elucidam que, entre 30 de setembro e 15 de outubro, foram efetuados 1.239.553 registos de vacinação, mais cerca de 5% do que no mesmo período de 2025, acrescentando que estes números refletem o empenho dos profissionais de saúde na operacionalização da campanha de vacinação.
A entidade que gere os serviços de suporte e as tecnologias de informação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) explica ainda que o VACINAS integra o calendário vacinal de mais de 13 milhões de pessoas e permite o registo, a consulta e a gestão das vacinas administradas a cada utente.
Entre os riscos identificados pela ASPE, encontram-se "a convocatória de utentes já vacinados, a possibilidade de administração duplicada de vacinas, a dificuldade em confirmar a elegibilidade para vacinação gratuita, a impossibilidade de consultar determinados registos vacinais e a acumulação ou perda de informação relativa às vacinas administradas".
De acordo com a associação sindical, as "dificuldades de acesso à plataforma, as interrupções frequentes e os erros no registo das vacinas" administradas obrigam os enfermeiros a repetir procedimentos, realizar sucessivas tentativas de acesso e acumular registos para introdução posterior no sistema.
"Para além da sobrecarga administrativa e do desgaste físico e psicológico dos profissionais, estas falhas podem comprometer a qualidade e a rastreabilidade da informação clínica, potenciando atrasos, omissões, incorreções e até situações de duplicação da vacinação", avisou a ASPE em comunicado.
Depois de alertar que os enfermeiros estão, na prática, a ser "confrontados com o dilema de vacinar sem sistema informático", a estrutura sindical adiantou que já enviou aos SPMS uma denúncia formal, na qual exige uma "intervenção urgente e soluções definitivas para os problemas identificados".
Quando a versão 2.0 foi lançada em abril, os SPMS asseguraram que seria uma "plataforma inovadora que permite uma maior rastreabilidade, segurança, fiabilidade e rapidez no acesso às informações vacinais, quer para cidadãos, quer para profissionais de saúde".
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