"Temos de comprar os pianos no OLX" : ensino artístico manifesta-se em Lisboa
Escolas de ensino artístico garantem estar em risco de fechar e vão manifestar-se na quinta-feira para exigir reforço do financiamento estatal.
As escolas de ensino artístico especializado - cerca de 130 em Portugal continental, frequentadas por 32 mil alunos -, vão manifestar-se esta quinta-feira junto ao Ministério da Educação, para exigir um aumento dos valores dos contratos de patrocínio. "O Estado definiu em 2600 euros o custo anual do curso básico de música do 5.º ao 9.º ano, que representa a maioria dos nossos alunos, e o valor nunca mais foi atualizado desde 2009. Só com a atualização do índice de preços ao consumidor deviam ser mais mil euros", afirmou ao CM Rui Fernandes, diretor da Academia de Música de Lisboa, lembrando que "desde 2009, o salário mínimo duplicou", fazendo subir os gastos das escolas.
"Há escolas em risco de fecho e que estão a pensar entregar as chaves ao ministério. Estamos a prestar um serviço público, asseguramos 95% do ensino artístico e o ministério não fala connosco, cancelaram todas as reuniões”.
Estão previstas 500 pessoas de norte a sul no protesto, entre dirigentes, alunos, professores, pessoal não docente e pais. “Está em causa o futuro da educação artística e o futuro profissional de milhares de famílias”, disse. Segundo o responsável, as escolas não têm capacidade de investimento e a área metropolitana de Lisboa é prejudicada por não ter fundos europeus. “Somos considerados ricos, o que é uma falácia. De Setúbal a Mafra não há uma escola artística com auditório, compramos os pianos no OLX”, disse o diretor, que pede mais justiça na definição da rede de vagas.
“A rede do ensino artístico é frequentada por 6% dos alunos do ensino regular, mas na área metropolitana de Lisboa é só 3%, temos menos vagas do que o Porto que tem metade do total de alunos”, disse, exigindo ainda que a definição da rede fique concluída “até maio”, para todos terem tempo para se organizarem, e não em agosto como acontece atualmente”.
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