Transportes, escolas e hospitais: o que esperar da greve de 3 de junho

Há cada vez mais adesão à greve geral marcada para esta quarta-feira, 3 de junho.

01 de junho de 2026 às 10:28
A greve geral convocadao pela CGTP encontrou adesão em vários setores Foto: Hugo Monteir/Medialivre
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Convocada pela CGTP-IN a 1 de maio, Dia do Trabalhador, ao longo do último mês a greve geral desta quarta-feira tem reunido adesão em vários setores de atividade. Desta vez, a UGT decidiu manter-se à margem da iniciativa que contesta a proposta de lei de revisão da lei laboral, entretanto aprovada em Conselho de Ministros, mas que ainda terá de passar pelo crivo dos partidos com representação parlamentar.

Enquanto que Mário Mourão, secretário-geral da UGT - que convocou a última greve geral em dezembro - considerou, em declarações à , que ", dia 3 não é o momento ideal, mas será mais à frente" quando o Parlamento tiver de votar a proposta, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira,  que a greve geral convocada para quarta-feira seja extemporânea, recusando "correr atrás do prejuízo".

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Conheça a lista atualizada de organizações que anunciaram a adesão à greve geral de 3 de junho.

Circulação sob pressão

A FECTRANS – Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações anunciou a adesão à greve, destacando no seu comunicado que o pacote laboral do Governo é "um ataque frontal aos direitos, aos salários, ao tempo de trabalho e às condições em que os trabalhadores se organizam e lutam. Em declarações à agência Lusa, o coordenador da Fectrans José Manuel Oliveira, garantiu que "" foram mobilizadas. Os pré-avisos abrangem os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, , da Transtejo/Soflusa, da Fertagus, do Metro Mondego, do Metro do Porto, da STCP ou da CP - Comboios de Portugal.

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No já foram divulgados os serviços mínimos que estarão em vigor. Quanto à Carris, o Tribunal Arbitral definiu serviços mínimos: o acórdão determina o "funcionamento, em 50% do seu regime normal, das carreiras 703, 708, 717, 726, 735, 736, 738, 751, 755, 758, 760 e 767", que terão de funcionar a 100% entre as 06h00 e as 09h00 e entre as 16h00 e as 19h00".

Também o SNPVAC - Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil e o SITAVA - Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos vão aderir à greve contra a reforma laboral. O que pode ter impacto em cerca de 500 voos, , Ricardo Penarróias, à margem da conferência sobre a privatização da TAP. Além da TAP, será afetada a operação de empresas como o grupo SATA, a Ryanair ou a easyJet.

Setor da saúde junta-se ao protesto

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Os médicos do setor público, privado e social também aderem à greve geral, anunciou a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que coordena o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, o Sindicato dos Médicos da Zona Centro e o Sindicato dos Médicos do Norte. Em comunicado,, presidente do Sindicato dos Médicos do Norte e vice-presidente da FNAM, explica que o que está em causa numa possível reforma laboral são “jornadas até 50 horas semanais como norma, horários desregulados, bancos de horas impostos, vínculos precários e ataques à parentalidade, à contratação coletiva, ao direito à greve e à ação sindical”.

Na área da saúde, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) junta-se ao protesto e a  vai realizar-se entre as 00h00 e as 24h00 de 3 de junho, podendo ter efeitos no dia anterior devido ao início do turno da noite, sendo assegurados os serviços mínimos.

E durante uma ação de protesto em frente ao Hospital Lusíadas, na passada quarta-feira, os trabalhadores das clínicas e hospitais privados declararam apoio à greve geral. A iniciativa foi convocada pelo SEP e pela Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAH), após a a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) se ter recusado a rever os contratos coletivos de trabalho que subscreveu com as duas organizações.

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Docentes mobilizados para a greve

Durante a  de sábado passado, a 16 de maio, em protesto contra a revisão dos estatutos da carreira, José Feliciano da Costa, um dos secretários-gerais da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), explicou que os professores estavam também mobilizados contra o pacote laboral, que considera "agressivo", anunciando a adesão à greve geral de 3 de junho.

Já o Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) entregou um pré-aviso de greve que abrange docentes e investigadores das universidades, institutos politécnicos, escolas superiores não integradas e institutos de investigação.

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Telecomunicações

No dia da greve geral é ainda possível seja complicado ser atendido por um operador de call center. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (Sinttav) prevê uma forte adesão num dos setores "mais marcados pela precariedade laboral", lê-se no

No mesmo sentido, o Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual (STT) emitiu um pré-aviso de greve, abrangendo todos os trabalhadores, incluindo os que se encontram em regime de prestação de serviços, 'outsourcing' ou trabalho temporário", lê-se no . O sindicato denuncia a realidade de "milhares de trabalhadores que vivem na instabilidade permanente, muitos em subcontratação, em regime de falsos recibos verdes, com contratos a prazo ou por tempo indeterminado e ausência de direitos básicos". De destacar o tema musical do STT dedicado à mobilização, chamado "O ataque é brutal" e que pode ser ouvido .

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Adesão alarga-se a vários setores

Os  também podem ser afetados, na sequência da adesão do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) que representa trabalhadores das autarquias e do setor empresarial autárquico. O sindicato acusa o "Governo PSD-CDS, apoiado pelo Chega e IL", de tornar "muito pior" tudo o "que está mal na legislação laboral, que já é desfavorável aos trabalhadores".

Também o  (Sintarq) aderiu à greve geral, considerando que a revisão laboral representa um "grave retrocesso e um ataque direto aos direitos dos trabalhadores", para além de significar mais instabilidade e menos direitos para quem trabalha.

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Contra um “pacote laboral do século XIX” está o  (SJ), que apela à adesão à greve por parte de todos os trabalhadores da comunicação social. O SJ considera que os profissionais deste setor estão "na primeira linha de vítimas da reforma laboral", destacando que a proposta "penaliza particularmente as pessoas mais precárias, categoria onde cabem tantos jornalistas".

Na terça-feira, 27 de maio, foram os trabalhadores de todas as empresas do Parque Industrial da Autoeuropa que aprovaram em plenário, e por unanimidade, o apoio à greve geral. Em declarações à agência Lusa, o coordenador das Comissões de Trabalhadores do Parque Industrial da Autoeuropa, Daniel Bernardino, explicou que "desde que foi apresentado este pacote laboral foi tomada uma posição por parte de todas as organizações dos trabalhadores do Parque Industrial, no sentido de dizermos que não".

Mais prolongadas são as datas do pré-aviso de greve para a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). O Sindicato dos Técnicos de Migração (STM) anunciou uma paralisação de quatro dias seguidos na AIMA que terá lugar nos dias 1, 2, 3 e 5 de junho de 2026.

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