Uma semana depois luz regressa e lojas reabrem em freguesia de Pombal
Leiria, onde se localiza a freguesia de Pombal, é um dos distritos mais afetados pela depressão Kristin.
Uma semana depois da passagem da depressão Kristin reabriram esta quarta-feira vários estabelecimentos comerciais em Vermoil, após a instalação de um gerador que trouxe "finalmente" e eletricidade ao centro da sede desta freguesia do concelho de Pombal.
"Começamos a retomar alguma normalidade, pelo menos no centro, mas falta tudo à volta", afirmou à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia, Daniel Ferreira.
No entanto, a preocupação esta manhã foi voltar a percorrer a freguesia a ver se mais árvores ou estruturas tinham caído na sequência do vento forte que se voltou a sentir durante a noite, em mais uma depressão -- Leonardo - que está a afetar o território
Na terça-feira à noite foi instalado um gerador que energizou o posto de abastecimento de eletricidade desta localidade, mas, segundo o autarca, mantêm-se, uma semana depois da passagem da depressão Kristin, problemas de energia pelo resto da freguesia e de comunicações.
"A nossa prioridade é a luz", frisou.
Carlos Neves vive em Leiria, sede do distrito, e, na noite passada, recebeu um telefonema da empregada a avisar do regresso da luz e veio de imediato para Vermoil preparar a pastelaria perto da igreja velha para reabrir esta manhã.
"Estivemos completamente parados", frisou, apontando como prejuízo os bens que tinha nas arcas frigoríficas que ficaram estragados.
Carlos Neves reconheceu alguma ansiedade para regressar ao trabalho e, esta manhã, as conversas dos clientes giravam à volta dos reencontros e dos danos que cada um sofreu nas suas casas.
Mais à frente, Rafael Moreno estava em limpezas para reabrir esta tarde o supermercado onde trabalham cinco pessoas.
Também aqui os maiores prejuízos foram os bens alimentares nas arcas frigoríficos, os quais não vai ser possível repor, por agora, "porque os camiões não vêm".
"Em casa está tudo bom, eu tenho sorte", salientou.
Na porta do minimercado e café onde o toldo permanece caído e destruído, Fernando Mendes disse que foi possível reabrir as lojas depois de ter comprado um gerador na terça-feira e de arranjar os telhados. A estes estragos juntam-se ainda os painéis solares.
"O telhado não está pronto, desenrascou-se, entra água na mesma, mas pronto", referiu.
Mais difícil de reabrir será o caso de uma empresa de alumínios, com 10 funcionários, onde a cobertura do edifício se deslocou completamente para a estrada e se procede, agora, às operações de limpeza.
Segundo o presidente da Junta, Daniel Ferreira, cerca de 80 a 90% dos telhados das casas da freguesia foram afetados pela tempestade que se fez sentir no dia 28 de janeiro. Foi necessário realojar quatro pessoas.
Mesmo sem energia ou comunicações fixas ou móveis, a Junta esteve de portas abertas para apoiar e prestar esclarecimentos.
O autarca disse que, entretanto, foi instalado um sistema 'starlink' junto ao lar Júlio Antunes, onde passou a haver uma rede 'wifi' aberta para quem precise.
Mas, acrescentou, por causa da falta de comunicações a Junta tem feito visitas aos vários locais da freguesia para ver quem precisa de bens alimentares, água ou outro tipo de ajuda, destacando ainda a entreajuda que se tem sentido.
"Estamos a tentar preparar zonas de banhos porque há pessoas que não conseguiram tomar banho quente e a tentar arranjar espaço para lavar a roupa", apontou, acrescentando que o centro escolar reabriu e está a receber crianças no ATL (centro de atividades de tempos livres).
Para os entulhos, foram instalados dois contentores na Feira dos Sete para o depósito de telhas e de painéis solares, mas onde podem também ser deixadas chapas das coberturas.
Entretanto, preparam-se também os locais de voto para as eleições presidenciais de domingo.
"Esta foi uma semana em que parou tudo e, ao mesmo tempo, nunca paramos", referiu.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo e Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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