Universidade de Lisboa reduz para metade bolsas de Erasmus de alunos que vão um ano para fora
Universidade pede aos estudantes que digam se mantêm os planos, se optam por fazer apenas um semestre ou querem "desistir da realização da mobilidade".
Os estudantes da Universidade de Lisboa que tinham planeado passar o próximo ano letivo no estrangeiro ao abrigo do programa Erasmus+ vão receber apenas metade do apoio previsto e alguns souberam da decisão a poucos dias da partida.
Os alunos da Faculdade de Medicina que se candidataram a bolsas de um ano letivo foram informados apenas esta semana pela escola de que só terão apoio financeiro para um semestre.
"Temos consciência de que esta alteração surge num momento particularmente sensível, já muito próximo do início do ano letivo, e que poderá ter um impacto significativo no planeamento pessoal e financeiro de cada um", lê-se na carta enviada pelo núcleo da faculdade responsável pelas mobilidades a que a Lusa teve acesso.
A universidade pede aos estudantes que digam se mantêm os planos, se optam por fazer apenas um semestre ou querem "desistir da realização da mobilidade".
O fim das bolsas anuais atinge seis alunos do curso de medicina, segundo contas do presidente da associação de estudantes daquela faculdade, Duarte Fonseca.
"Estamos a averiguar os diferentes casos para perceber qual o valor de bolsa que não vão receber e de que forma afeta os seus projetos de Erasmus, até porque cada aluno tem uma situação financeira distinta", acrescentou.
Beatriz Botequilha é uma dessas alunas. Com voo marcado para Lyon na próxima semana, foi surpreendida na terça-feira com a comunicação da faculdade.
"Tenho o bilhete de avião pago e a questão da casa já está combinada para todo o ano letivo. Tenho a caução paga, o seguro de casa, já paguei parte da 1ª prestação do primeiro mês e fiz um compromisso com a faculdade de ficar o ano todo", contou à Lusa.
No seu caso, a bolsa ronda os 500 euros mensais, o que daria um apoio de cerca de cinco mil euros. Vai receber apenas metade, mas a família decidiu manter o plano inicial.
"Será um grande esforço financeiro, mas os meus pais já me disseram para fazer o ano à mesma, até porque há cadeiras que são anuais e não daria para ir só um semestre", revelou a aluna, cujas aulas na Faculdade de Medicina da Universidade de Lyon começam já no início de setembro.
Na carta que recebeu da faculdade, vinha também uma mensagem do pró-reitor da ULisboa, que explicava que as verbas para este ano letivo tinham sofrido um "corte substancial".
Em vez dos cerca de 4,8 milhões de euros do ano passado, este ano serão apenas 4,5 milhões. A redução de quase 10% foi conhecida a 15 de junho, acrescenta o pró-reitor Eduardo Pereira, responsável pela coordenação Erasmus+ da ULisboa.
A instituição contestou o corte, mas a 22 de julho foi informada de que os valores anunciados se iriam manter, acrescenta o pró-reitor na carta a que a Lusa teve acesso.
Com menos dinheiro, a universidade tinha duas hipóteses: ou reduzia o número de alunos financiados ou diminuía o período de mobilidade financiado.
"A ULisboa optou pela segunda solução, de modo a permitir ao maior número de alunos uma experiência de mobilidade internacional", explica a instituição em resposta à Lusa.
A ULisboa é uma das universidades portuguesas com mais alunos em mobilidade. No último ano, atribuiu bolsas a cerca de 2.100 estudantes e prevê "manter o mesmo número de mobilidades financiadas" este ano.
Mas, a partir de agora, os alunos recebem, no máximo, bolsas de cinco meses para estudar e de quatro meses para estagiar, sendo que "qualquer outra mobilidade deverá decorrer exclusivamente a bolsa zero", acrescenta o pró-reitor.
Duarte Fonseca reconhece que a experiência para alguns alunos poderá "ficar um pouco constrangida", mas vê na decisão da Universidade uma "solução mais justa face à falta de verbas".
A carta do pró-reitor está datada de 28 de julho, mas os alunos da faculdade de Medicina receberam essa carta apenas a 18 de agosto.
Na carta, o pró-reitor anuncia ainda que avisou as faculdades para a necessidade de "reverem os seus regulamentos" de candidatura e seleção ao programa Erasmus, para que passe a haver "regras de seriação dos estudantes" para poderem "adotar, nos próximos anos letivos, processos competitivos de atribuição de bolsas".
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