Utentes alertam para problemas do serviço ferroviário na Linha do Alentejo
Entre os problemas identificados destaca-se "o reduzido número de composições", quando comparado com "o aumento da procura" após a implementação do Passe Verde.
A comissão de utentes da linha ferroviária do Alentejo criticou esta sexta-feira as dificuldades na marcação de lugares, os "constantes atrasos" e a falta de condições das automotoras entre Beja e Casa Branca, no concelho de Montemor-o-Novo.
Em comunicado, a Comissão de Utentes em Defesa da Linha do Alentejo explicou que, entre os problemas identificados relativamente à circulação nesta linha, destaca-se "o reduzido número de composições", quando comparado com "o aumento da procura" após a implementação do Passe Verde.
O que provoca, segundo a mesma estrutura, "dificuldades na marcação obrigatória de lugares", os quais "frequentemente esgotam em poucos minutos".
Além disso, a comissão de utentes aludiu aos "constantes atrasos", maioritariamente "entre 45 minutos e uma hora e meia", dos comboios que circulam na linha.
A substituição de comboios Intercidades por "material regional menos confortável e lento" e a falta de condições das "automotoras" que ligam Beja a Casa Branca, no concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora, foram outras das questões apontadas.
Segundo a comissão, as referidas automotoras circulam "com o ar condicionado avariado, mesmo durante os períodos de temperaturas superiores a 40 graus", o que coloca "em causa o conforto, a segurança e a saúde dos passageiros".
Para os utentes, "embora [se] considere positiva a confirmação do investimento" para a eletrificação da Linha do Alentejo, o "longo prazo previsto para a execução da obra", apontado para o período entre 2027 e 2033, e o "histórico de sucessivos atrasos e promessas em projetos ferroviários" suscitam "reservas" quanto ao futuro.
"Após 16 anos de reivindicações, os utentes esperam que os anúncios agora realizados se traduzam, finalmente, em obras concretas e numa melhoria efetiva do serviço ferroviário, sem novos adiamentos, nem perda de direitos para quem diariamente depende do comboio", avisou a comissão.
Com o objetivo de alertar para a situação, a comissão de utentes reuniu-se, esta semana, com os presidentes das câmaras municipais de Beja e Alvito, no distrito de Beja, Nuno Palma Ferro e José Manuel Efigénio, respetivamente, e também com o presidente do Município de Vendas Novas, no distrito de Évora, Ricardo Videira.
Foram igualmente solicitadas reuniões com os autarcas de Cuba (distrito de Beja) e Évora, assim como com a CP - Comboios de Portugal e com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo.
De acordo com a comissão de utentes, a melhoria das condições de circulação na Linha do Alentejo é uma reivindicação "em defesa da qualidade de vida das populações, da coesão territorial e do desenvolvimento do Alentejo".
Em março, a comissão de utentes lançou uma petição para exigir ao Governo uma linha férrea do Alentejo com "qualidade" e que "sirva os interesses da região e de quem vive e trabalha" no território.
Os utentes pedem a modernização das carruagens, a colocação de mais comboios a circular diariamente e a eletrificação da linha.
A petição conta atualmente com a subscrição de "mais de 6.000 cidadãos".
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