Termómetros ultrapassaram os 40 graus em 37 locais. Veja qual a temperatura na sua terra
Estações do IPMA registam máximas muito elevadas em quase todo o País.
Portugal não está, tecnicamente, a ser assolado por uma onda de calor. Mas nos últimos três dias todo o País esteve com temperaturas dignas de uma fornalha. Os dados oficiais do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) mostram que, na terça-feira, 37 estações meteorológicas registaram máximas acima dos 40 graus. Alvega (Abrantes), com 45,5º, foi o local mais quente, seguido de Santarém, com 43,6º. As estações de Pinhão e Mértola chegaram aos 43º. Outras 62 estações fixaram-se entre os 35º e os 40º.
Esta situação levou à emissão de avisos laranja devido ao tempo quente para 13 distritos durante o dia de ontem e aviso amarelo noutros cinco, e à declaração de perigo máximo de incêndios florestais em mais de 40 concelhos. Ontem havia grandes incêndios a preocupar em Almaceda, Castelo Branco (320 operacionais), Ourém (261) e Odemira (175).
Também as noites não fugiram à tendência ‘tropical’, com dezenas de localidades acima dos 25 graus até durante a madrugada. A exceção foi mesmo a orla costeira: no cabo Raso (Cascais) a temperatura máxima foi de 21,9º e no cabo Carvoeiro (Peniche) os termómetros ficaram-se pelos 22,1º.
As altas temperaturas afetam sobretudo idosos, crianças e doentes crónicos. Os especialistas aconselham a evitar a exposição ao sol nas horas de maior calor e a manter portas, janelas e portadas fechadas, a ingerir líquidos e a evitar bebidas alcoólicas.
Segundo o IPMA, a partir de hoje as temperaturas vão começar a baixar – Lisboa, por exemplo, deverá descer dos 38º de ontem para 28º –, mas sempre em níveis considerados normais para o verão e sobretudo nas regiões costeiras. No Interior, as temperaturas deverão permanecer com máximas acima dos 35 graus. Esta tendência de descida deverá durar até sábado.
O dia 21 de julho foi o mais quente no Mundo desde que os registos começaram em 1940, com uma temperatura média global à superfície da Terra de 17,09 graus Celsius. Os dados foram divulgados pelo programa europeu Copernicus e revelam que o registo excede ligeiramente (0,01° C) o máximo anterior, datado de 6 de julho de 2023.
Segundo o Copernicus, este novo recorde diário, que surge numa altura em que as ondas de calor atingem partes dos Estados Unidos e da Europa, poderá voltar a ser ultrapassado nos próximos dias, antes de as temperaturas baixarem, embora possa haver flutuações nas próximas semanas.
“O que é verdadeiramente surpreendente é a magnitude da diferença entre a temperatura dos últimos 13 meses e os recordes de temperatura anteriores”, frisou o diretor do Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas (C3S), Carlo Buontempo. “Estamos agora em território desconhecido”, alertou o responsável.
E TAMBÉM
ÓBITOS SEM AUMENTO REGISTADO
Na terça-feira foram registados 318 óbitos e na segunda-feira 313, valores dentro da média para a época, segundo dados da Direção-Geral da Saúde. Este ano, o dia em que houve mais óbitos em Portugal foi a 2 de janeiro, com 510 mortes, muitas causadas por infeções respiratórias que entupiram as urgências hospitalares.
P. NOVA MÍNIMA DE 27,7º
A canícula não se fez sentir apenas durante o dia. Em Proença-a-Nova, a temperatura mínima registada nos últimos dois dias foi de 27,7º. Em Portalegre, o valor mínimo não desceu dos 27,6º. Só junto à costa o registo baixou dos 20º.
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