Consórcio europeu quer captar e reutilizar dióxido de carbono a partir de resíduos
Intenção do projeto é criar uma tecnologia que possa "ser integrada em sistemas de tratamento de gases industriais".
Um consórcio que junta várias entidades nacionais e internacionais quer desenvolver uma tecnologia que permita captar e reutilizar dióxido de carbono a partir de resíduos da indústria da pesca, estudando a sua conversão em compostos químicos de utilidade industrial.
Em comunicado esta quarta-feira enviado pelo B2E - Blue Bioeconomy CoLAB, laboratório sediado em Matosinhos, o projeto AERO2cycle é apresentado como uma solução, a ser investigada até 2028, que pretende "desenvolver materiais avançados e reatores impressos em 3D para aproximar tecnologia de captura de carbono da aplicação industrial".
O objetivo é desenvolver aerogéis funcionais, que são "materiais ultraleves e altamente porosos" e incorporar biochar, um material carbonizado que se obtém através de aquecimento controlado de resíduos orgânicos na ausência de oxigénio, por exemplo espinhas, pele ou escamas de peixe.
Este biochar será combinado com outros componentes, "dando origem a materiais híbridos capazes de capturar e converter dióxido de carbono", pode ler-se no comunicado.
Depois, estes materiais atravessam mais processos até que possa ser facilitada "a sua futura integração em sistemas de captura de carbono".
Além da captura de dióxido de carbono, no contexto europeu de atingir a meta de neutralidade carbónica até 2050, a intenção do projeto é criar uma tecnologia que possa "ser integrada em sistemas de tratamento de gases industriais", não só na captura mas também na possibilidade de conversão do que é retido em compostos químicos com utilidade industrial.
A solução proposta está já validada em ambiente laboratorial, adianta o B2E, e agora o consórcio vai testar o funcionamento em contextos mais próximos aos da sua aplicação real, para que possa ser integrado na indústria da pesca a partir de 2028.
O consórcio inclui ainda a Universidade de Évora e a NOVA-ID.FCT, associação para inovação e desenvolvimento da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, esta a líder do projeto, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
A Universidade de Santiago de Compostela e a Universitat Jaume I, ambas em Espanha, fazem também parte do consórcio, com colaboração científica.
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