Estufas destruídas pelo furacão Leslie novamente levadas "pelos ares" em Leiria

Em poucos anos, Fábio Franco, de Ortigosa, Leiria, viu as suas estufas de alfaces destruídas duas vezes, em 2018 pelo furação Leslie e agora pela depressão Kristin.

29 de janeiro de 2026 às 14:26
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Em poucos anos, Fábio Franco, de Ortigosa, Leiria, viu as suas estufas de alfaces destruídas duas vezes, em 2018 pelo furação Leslie e agora pela depressão Kristin, que terá provocado meio milhão de euros de prejuízos.

"Foi novamente tudo pelos ares. Tenho 37 anos e a minha vida talvez tenha mudado para sempre", disse à agência Lusa Fábio Franco, admitindo que o futuro da Sociedade Agrícola do Vale do Lis é "uma incógnita".

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A sociedade tem dez postos de trabalho, alguns dos quais ocupados por familiares, o que redobra a sua preocupação.

"Tem de haver medidas concretas para que os salários continuem a ser pagos, porque perdemos tudo e temos obrigações financeiras para com a banca", defendeu, contando que, apesar de as estufas terem sido reconstruídas após o furação Leslie, "não houve capacidade de amortização, nem há, de um investimento destes em sete anos".

A depressão Kristin destruiu-lhe dois hectares de estufas com alfaces que eram colocadas em Torres Vedras e depois entravam na grande distribuição a nível nacional.

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"Perdi a minha produção toda de dentro da estufa e de ar livre e não sei o que fazer aos postos de trabalho", admitiu.

Revoltado pelo estado de "total abandono" em que considera estar o concelho de Leiria, Fábio Franco pede ao Governo que coloque urgentemente meios no terreno.

"É a zona de Portugal com mais pecuárias, que alimenta o país inteiro com carne de porco e tem os animais neste momento a morrer à fome dentro da floresta. Têm de mandar o Exército desobstruir as estradas e por geradores", defendeu.

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Sem água, sem luz e sem alimentos, Fábio deslocou-se esta quinta-feira ao Cartaxo para tentar conseguir alguns geradores que possam amenizar a situação.

"Estou no supermercado a comprar pão, atum e bananas e vou levar meia dúzia de geradores que uns amigos me arranjaram aqui no Cartaxo", contou.

A prioridade será o fornecimento das arcas frigoríficas e também "dispensar alguns para pequenas pecuárias que estão no meio da floresta e onde neste momento os animais estão a morrer à fome e à sede".

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"Não há energia para tirarem a água para os tanques, nem para a alimentação chegar aos comedouros dos animais", explicou.

Na sua opinião, neste momento "não há qualquer empresário em Leiria com capacidade para fazer o que quer que seja", uma vez que se trata de "uma situação avassaladora".

A passagem da depressão Kristin pelo território português, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.

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Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território do continente, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo anunciou que vai decretar situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade.

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