EUA, Rússia e Arábia Saudita unidos contra relatório cientifico sobre aquecimento global
Países produtores de petróleo travam meta proposta na convenção da ONU para o clima.
Numa improvável aliança entre potências supostamente rivais, os delegados dos EUA, Rússia, Arábia Saudita e Kuweit juntaram-se na cimeira sobre o clima que decorre em Katowice, na Polónia para recusar a adoção de um relatório científico que se pretendia usar como base de um novo acordo sobre a luta contra aquecimento global.
O jornal The Guardian conta que os quatro países, que estão entre os principais produtores de petróleo, querem impedir a adoção internacional de medidas que têm por meta limitar o aquecimento global a um máximo de 1,5 graus centígrados. Isto depois de o tal relatório – encomendado pelo próprio comité da ONU e anunciado em outubro - ter apontado que, se nada for feito, o aquecimento previsto é de 3 graus, bem acima do previsto anteriormente e com resultados previsivelmente catastróficos para todo o planeta.
As posições dos delegados deste quarteto faz temer o pior para as conclusões da cimeira, que contará com a presença de governantes de todo o mundo para tomar decisões durante esta semana. Portugal estará representado pelo ministro do Ambiente, Matos Fernandes.
O gesto dos americanos não é surpreendente, dado que uma das primeiras medidas de Trump foi retirar os Estados Unidos do acordo de Paris sobre o clima, mas levanta o receio de que os americanos se ponham definitivamente de parte de qualquer discussão sobre o clima do planeta.
A meta dos 1,5 gruas como limite máximo de aquecimento levou anos a conseguir, com cientistas de todo o mundo a lutar persistentemente para convencer os políticos da urgência da medida. O estudo deveria ser aprovado como recomendação no painel da IPCC, mas tudo parece estar prestes a ruir, quando dois dos países mais poluidores e outros dois grandes produtores de petróleo, se recusam a tomar medidas.
Trump, que frequentemente expressa em público a sua descrença no aquecimento global é o alvo principal das críticas.
"Donald Trump é o negador-mor. Tem um interesse pessoas em denegrir os cientistas. Mas a ciência não desaparece. A lei da termodinâmica não pode ser ignorada", diz Alden Meyer, director de estratégia da União de Cientistas Preocupados, um grupo que há muito vem alertando para os riscos das alterações climáticas.
"A ciência do clima não é futebol político. Todos os governos do mundo, incluindo o saudita, concordaram com o relatório 1.5C e mercemos a verdade. Não se pode discutir com a fisica, o clima vai continuar a mudar", diz Camilla Born, do Think Thank sobre o clima E3G.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt