Europa Ocidental bate recordes de calor
Junho mais quente de sempre e o fogo a chegar às portas de Marselha, a segunda maior cidade de França.
O mês de junho foi o mais quente de sempre na Europa Ocidental, devido a duas ondas de calor, entre 17 e 22 de junho, e a partir de 30 de junho, revelou o Copernicus, programa da União Europeia de Observação da Terra. O calor extremo e os incêndios florestais já chegaram em força a países como Alemanha e França. Na terça-feira, o fogo esteve mesmo às portas de Marselha, encerrando o aeroporto e obrigando a população a permanecer em casa devido ao risco de inalação de fumo.
As temperaturas chegaram a um máximo de 46,6 graus em Mora, no dia 29, e foram registados valores semelhantes na Península Ibérica, tendo ultrapassado os 40ºC em vários países.
Já segundo a sensação térmica, que mede o impacto no corpo humano tendo em conta a humidade e o vento, a norte de Lisboa os valores do Índice Climático Térmico Universal chegaram ao 48ºC, o que significa ‘stress térmico extremo’, de acordo com o Copernicus.
As temperaturas extremas nestas duas ondas de calor provocaram 2300 mortes entre 23 de junho e 2 de julho em 12 cidades europeias, segundo um estudo da Universidade Imperial College London e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.
Os cientistas estimam que “haveria cerca de 1500 mortes a menos” se o clima não tivesse sido aquecido com a queima de combustíveis fósseis. As alterações climáticas estarão assim na origem de 65% de mortes em excesso.
O maior número de mortes ocorreu em Milão (317), enquanto em Lisboa foram contabilizadas 21. Muitas destas mortes “não serão registadas como relacionadas com o calor”, alerta o professor Malcolm Mistry.
Segundo a Direção-Geral da Saúde, Portugal continental registou 284 óbitos em excesso durante o alerta por tempo quente iniciado a 28 de junho, a maioria entre pessoas com 85 ou mais anos.
"Estas ondas de calor serão provavelmente mais frequentes, mais intensas e afetarão cada vez mais pessoas na Europa", afirmou Samantha Burgess, climatologista do Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas do Copernicus.
Junho foi também marcado por uma onda de calor marinha no Mediterrâneo Ocidental, com as temperaturas da superfície do mar a dispararem desde o início do mês, atingindo uma temperatura média recorde de 27°C no dia 30 de junho.
"Estas temperaturas excecionais da água do Mediterrâneo reduziram o arrefecimento noturno do ar ao longo das costas e aumentaram a humidade, exacerbando assim os efeitos do stress térmico", sublinhou o Copernicus.
Terceiro mais quente a nível global
Globalmente, o mês passado foi o terceiro junho mais quente de que há registo, logo atrás de junho de 2024 (que foi 0,2°C mais quente) e quase ao mesmo nível (0,06°C) de junho de 2023. De acordo com os cálculos da France-Presse, 12 países e cerca de 790 milhões de pessoas em todo o mundo viveram o junho mais quente de sempre.
Lisboa Plano protege trabalhadores
A Assembleia Municipal de Lisboa recomendou à câmara um plano de adaptação dos horários de trabalho ao ar livre durante as ondas de calor. Subscrita pelo PAN, a proposta foi aprovada com os votos contra de PCP e Chega e a abstenção de PSD, PPM e CDS-PP. O deputado do PAN, António Valente, considerou “inaceitável e desumano” ter pessoas a trabalhar ao ar livre "expostas a temperaturas extremas".
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