Mais calor pode levar à inatividade física de milhões e a cerca de 500 mil mortes prematuras até 2050

Aumento da temperatura pode causar uma perda de produtividade no valor de "milhares de milhões de dólares".

16 de março de 2026 às 23:37
Mais calor pode levar à inatividade física de milhões e a cerca de 500 mil mortes prematuras até 2050 Foto: Getty Images
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O aumento das temperaturas devido às alterações climáticas poderá levar à inatividade física de mais milhões de pessoas em todo o mundo até 2050 e a centenas de milhares de mortes prematuras, indica um estudo divulgado esta segunda-feira.

O trabalho, publicado na revista The Lancet Global Health, considera ainda que o aumento da temperatura pode causar uma perda de produtividade no valor de "milhares de milhões de dólares".

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Em comunicado, a Lancet explica que a investigação utilizou um modelo climático para analisar dados de 156 países entre 2000 e 2022 e prever como o aumento das temperaturas pode afetar a atividade física a nível global até 2050.

"O modelo indica que, até 2050, cada mês adicional com uma temperatura média acima de 27,8 graus celsius (°C) aumentaria a inatividade física em 1,5 pontos percentuais a nível global e em 1,85 pontos percentuais nos países de rendimento baixo e médio, mas sem impacto claro nos países de rendimento elevado".

"Isto traduz-se numa previsão de 0,47 a 0,70 milhões de mortes prematuras adicionais anualmente e de 2,40 a 3,68 mil milhões de dólares em perdas de produtividade", adianta o comunicado.

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O maior aumento da inatividade ocorrerá, segundo o modelo, em regiões mais quentes, como a América Central, as Caraíbas, a África Subsariana Oriental e o Sudeste Asiático Equatorial, onde uma temperatura acima dos 27,8 °C poderá levar a uma subida de "mais de quatro pontos percentuais por mês".

Os autores salientam, no entanto, que se trata de projeções com base em modelos matemáticos, tendo por base inquéritos sobre a atividade física declarada pelas pessoas e que se considerou apenas as mudanças de temperatura, continuando assim a existir "uma grande incerteza quanto aos impactos reais exatos".

A falta de exercício físico já é considerada um problema de saúde a nível mundial, indicando um relatório da Organização Mundial de Saúde divulgado em outubro de 2022 que "cerca de uma em cada três pessoas" não cumpre as diretivas da OMS para o exercício físico semanal.

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Mesmo as atividades físicas quotidianas são realizadas cada vez com maior dificuldade, segundo um estudo publicado na passada terça-feira na revista científica Environmental Research: Health.

Este trabalho concluiu que duplicou desde a década de 1950 o tempo de exposição de milhões de pessoas em todo o mundo a uma temperatura que impede a realização segura de atividades físicas quotidianas.

Os investigadores consideraram existirem "restrições graves da qualidade de vida" quando a temperatura e a humidade elevadas limitam "qualquer atividade mais extenuante do que varrer o chão à sombra".

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"Muito mais pessoas enfrentarão períodos mais longos em que as atividades diárias comuns serão inseguras à medida que as populações mundiais crescem e envelhecem", indica este estudo, assinalando que regiões vulneráveis como a África subsariana e o sul da Ásia "deverão registar um rápido crescimento populacional".

De acordo com os autores do estudo divulgado pela The Lancet Global Health, os resultados que obtiveram apontam para a necessidade de medidas para proteger a população do aumento das temperaturas, como tornar as cidades mais frescas, disponibilizar locais climatizados acessíveis para a prática de exercício físico e dar orientações claras sobre como se manter seguro face ao calor extremo.

"Sem medidas de mitigação reforçadas, o aumento das temperaturas por si só pode comprometer --- ou mesmo reverter --- uma parcela substancial da meta da OMS de reduzir a inatividade física global em 15% até 2030, enquanto abranda simultaneamente o crescimento económico através da queda da produtividade dos trabalhadores relacionada com o calor", refere o estudo.

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Os investigadores chamam ainda a atenção para a necessidade de redução das emissões de gases com efeito de estufa, que muito contribuem para o aquecimento global.

As temperaturas acima dos 30°C causam 'stress' térmico e prejudicam a saúde de muitas pessoas, estimando-se que o calor extremo seja responsável por quase meio milhão de mortes anualmente.

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