Estima-se que em 2024 tenham morrido 62.000 pessoas devido ao calor.
Os alertas de calor extremo aumentaram 318% na Europa entre 2015 e 2025, em comparação com a década de 1990, estimando-se que em 2024 tenham morrido 62.000 pessoas devido ao calor, indica um relatório esta terça-feira divulgado.
O relatório Countdown Europe 2026, sobre saúde e alterações climáticas, publicado pela revista especializada The Lancet, analisa a forma como as mudanças no clima provocadas pela humanidade estão a agravar os impactos na saúde e a provocar mortes e monitoriza os efeitos que as medidas de adaptação e mitigação têm sobre a saúde, a economia e as finanças.
Segundo o relatório, os indicadores revelam "um aumento acentuado" dos impactos negativos na saúde, diretos e indiretos, da exposição ao calor na Europa, com quase todas (99,6%) as regiões monitorizadas a registarem um aumento do número de mortes no período 2015-2024 comparando com os anos 1991-2000.
Também comparando os dois períodos, o relatório indica que a exposição ao calor aumentou 254% e o número médio anual de horas em que a exposição ao calor tornou perigosa a atividade física aumentou 88%.
Em 2023, mais de um milhão de pessoas adicionais foram afetadas por insegurança alimentar moderada ou grave em toda a Europa, face à média anual de 1981-2010, devido ao aumento das ondas de calor e à seca.
Também devido às alterações climáticas aumentaram na última década os casos de doenças infecciosas, com uma expansão geográfica de alguns vetores de doenças, acompanhada de surtos mais frequentes. A possibilidade de transmissão da febre dengue aumentou 297% no último período estudado, face a 1980-2010.
Os autores do documento notam também que os riscos, vulnerabilidade e impactos das alterações climáticas são desiguais entre populações e regiões, e apontam que as pessoas mais pobres têm mais probabilidade de sofrer insegurança alimentar devido às ondas de calor, e são também as pessoas das regiões mais desfavorecidas que enfrentam riscos mais elevados de incêndios florestais e têm menos acesso a espaços verdes.
A contínua dependência da Europa dos combustíveis fósseis "está a prender os Governos a mercados voláteis", refere o relatório, adiantando que para se protegerem contra aumentos dos custos energéticos, devido à guerra na Ucrânia, os subsídios governamentais europeus aos combustíveis fósseis atingiram os 444 mil milhões de euros só em 2023, mais do triplo do valor de 2016, a seguir à assinatura do Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa.
Como positivo, o relatório destaca que a quota de energia renovável no fornecimento total de eletricidade foi de 21,5% em 2023, bem acima dos 8,4% em 2016.
E as tendências de investimento também apontam no sentido positivo. O investimento em energias limpas foi de 427 mil milhões de euros, também largamente acima dos 229 mil milhões em 2015 (aumento de 86%). O investimento em combustíveis fósseis foi de 76 mil milhões de euros em 2024, contra os 112 mil milhões em 2015 (redução de 32%).
Ainda como negativo o relatório aponta para o aumento da queima de biomassa, que contribui para a poluição atmosférica e para a perda de floresta, sugerindo que seja dada prioridade à transição do aquecimento residencial para alternativas mais limpas, como bombas de calor.
E também apontado como mau, apesar do número crescente de estudos científicos publicados sobre o nexo alterações climática e saúde, é o declínio "preocupante" do empenho individual, político, empresarial e mediático neste domínio.
O relatório liderado pela "University College London" reuniu contribuições de cerca de 300 investigadores, para acompanhar e compreender a evolução da relação entre alterações climáticas e saúde.
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