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ICNF autorizou abate de ninho de cegonha em outubro de 2025 em Gondomar

No documento lê-se que a "remoção do ninho só poderá ser realizada a partir da data da sua emissão e até de 30 de novembro de 2025 e apenas se este se encontrar desocupado".

04 de março de 2026 às 17:48

O ninho de cegonha abatido em Valbom, concelho de Gondomar, denunciado em outubro de 2025 por uma responsável do PAN, foi autorizado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), revelou esta quarta-feira a empresa Honest Trone.

No documento emitido pelo ICNF e divulgado pela empresa de capital israelita responsável pela construção de um empreendimento de luxo no local, a remoção do ninho foi autorizada a 07 de setembro de 2025.

No documento lê-se que a "remoção do ninho só poderá ser realizada a partir da data da sua emissão e até de 30 de novembro de 2025 e apenas se este se encontrar desocupado".

"A Honest Throne, Lda, com sede na Rua Marechal Saldanha, nº 697 3.1, 4150-658 Porto, está autorizada a proceder à remoção de (01) um ninho de cegonha-branca, localizado na Rua Dr. Joaquim Manuel Costa, 1379, 420-436, em Valbom, por motivo do local onde está implementado ter de ser demolido para cumprimento de projeto de loteamento licenciado", lê-se ainda.

O documento está assinado pela diretora regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte, Sandra Sarmento.

Contactada pela Lusa, a autora da denúncia, a comissária do bem-estar animal do distrito do Porto do PAN, Manuela Carneiro, lamentou "que a construção do empreendimento não tenha tido em conta a presença das cegonhas e não ter adaptado um local para que se pudesse fazer a recolocação do ninho".

Considerando que o assunto poderia ter sido resolvido com "bom senso", acrescentou que "se o ICNF não acautela o preservar da natureza, é claro que estes empreendimentos e estes arquitetos também não o vão ter em conta".

A situação foi também denunciada à Brigada de Proteção Ambiental (BRIPA) da PSP que, entretanto, fez seguir o processo para o Tribunal de Gondomar, onde foi investigado pelo Ministério Público e aguarda despacho do procurador, revelou na terça-feira à Lusa fonte judicial.

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