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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Marcelo avisa que "não serve de nada ter medidas no papel" se não for possível executá-las

Presidente da República considerou que "o problema não é [as medidas do Governo] serem suficientes", mas sim se é ou não possível "dar resposta".

03 de fevereiro de 2026 às 20:23
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Marcelo avisa que 'não serve de nada ter medidas no papel' se não for possível executá-las

O Presidente da República avisou esta terça-feira que "não serve de nada ter medidas no papel" de apoio às populações afetadas pelo mau tempo se não for possível executá-las, pedindo coordenação no terreno porque senão as pessoas ficarão desesperadas.

"O problema não é [as medidas do Governo] serem suficientes, (...) faz-se o levantamento da situação que existe, de tal forma que se pode dar a resposta. Não serve nada ter medidas no papel, se não é possível dar resposta às medidas", alertou, em declarações aos jornalistas à margem das cerimónias fúnebres do cineasta João Canijo após ser questionado sobre a ação do Governo na resposta à passagem da depressão Kristin em Portugal continental.

O Presidente da República explicou que na reunião desta tarde com o primeiro-ministro no Palácio de Belém avaliou-se a situação dos próximos dias, para os quais se antevê uma quinta-feira e um domingo "complicados", e como se vai responder aos mais de 100 mil portugueses sem eletricidade e mais de 70 mil sem telecomunicações.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou também que foi abordada nessa reunião a "importância de a máquina" do Estado conseguir responder aos problemas, bem como a sua coordenação.

"E nessa máquina, como é importante - além de uma coordenação, que agora está em Leiria -, funcionar tudo bem, desde as pessoas até à coordenação", defendeu, acrescentando que, se isso não acontecer, as "pessoas ficam ansiosas, angustiadas ou desesperadas".

O chefe de Estado disse ainda, sem detalhar datas, que, além do concelho de Ourém, visitará Pedrógão Grande, porque "há muita falta de energia elétrica", e que prevê estar primeiro na região do Mondego, a que seguirá uma visita à zona do Sado e uma ida à região do Tejo.

O primeiro-ministro afirmou que o Presidente da República vai poder testemunhar terça e na quarta-feira, no terreno, o esforço que está a ser feito para repor rapidamente a normalidade nas zonas atingidas pela depressão Kristin.

Luís Montenegro assumiu esta posição no Palácio de Belém, numa declaração sem perguntas dos jornalistas, após ter estado reunido com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

O líder do Governo anunciou também que voltará a reunir-se com o Presidente da República na próxima quinta-feira para analisarem a situação do país nessa altura, salientando que os próximos dias apresentam "grandes desafios" em termos de condições climatéricas.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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