Diretiva europeia estabelece metas mais ambiciosas para a redução da exposição a poluentes, nomeadamente partículas (inaláveis PM10 e finasPM2.5) e dióxido de azoto (NO2).
A especialista em qualidade do ar Ana Isabel Miranda alertou esta terça-feira para a necessidade de Portugal começar rapidamente a reduzir a poluição do ar, diminuindo emissões nos transportes mas também nos setores residencial e agrícola.
Falando num debate sobre "Alterações Climáticas, Incêndios e Qualidade do Ar - Desafios e Soluções" a responsável lembrou que Portugal tem quatro anos para se preparar para a entrada em vigor de uma nova diretiva europeia, que corta para metade os limites de emissão de alguns poluentes.
"Os quatro anos não me deixam muito tranquila, porque receio muito que não consigamos estar lá em 2030", disse Ana Isabel Miranda, engenheira do ambiente e professora da Universidade de Aveiro.
A diretiva europeia estabelece metas mais ambiciosas para a redução da exposição a poluentes, nomeadamente partículas (inaláveis PM10 e finasPM2.5) e dióxido de azoto (NO2).
Ana Isabel Miranda salientou que a qualidade do ar - o Dia Nacional do Ar foi celebrado no domingo - está sempre associada à saúde, e que a poluição atmosférica é das maiores preocupações da União Europeia e se reflete em anos de vida perdidos.
Francisco Ferreira, professor da Universidade Nova, também especialista em qualidade do ar e presidente da associação ambientalista Zero, outro dos intervenientes, apontou o tráfego automóvel como um dos culpados pela má qualidade do ar, e pelo ruído, e considerou que as políticas para melhorar o ar nas cidades têm sido desastrosas.
O especialista apontou Lisboa como um mau exemplo, com zonas de emissões reduzidas que não são revistas, e onde, na Avenida da Liberdade, se chegou no ano passado ao limite de emissões de NO2, de 40,3 microgramas por metro cúbico (µg/m3). Em 2030, advertiu, esse valor não pode ultrapassar os 20,3 µg/m3.
"Em Lisboa não há coragem" para fechar a baixa ao trânsito automóvel, e o mesmo acontece em outras cidades, disse Francisco Ferreira, lamentando a incapacidade de se explicar às pessoas que está em causa a saúde, e que haja no país a ideia, irreal, de que impor restrições aos automóveis tira votos nas eleições.
"Melhoramos a qualidade do ar muito à custa de políticas europeias mas temos agora de fazer a nossa parte", advertiu Francisco Ferreira.
A propósito do Dia Nacional do Ar, a associação Zero já tinha alertado para as elevadas concentrações de poluentes em algumas cidades devido aos automóveis, recordado que em Portugal a poluição do ar é responsável pela morte prematura de cerca de 4.200 pessoas por ano.
O painel sobre qualidade do ar foi um dos vários integrados numa cerimónia para apresentar o documento "Visão Ambiente 2030: Desafios e Oportunidades", um complemento do Relatório do Estado do Ambiente (sobre 2025) da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que integra 24 artigos de opinião de outros tantos especialistas.
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