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Correio da Manhã

Sociedade
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Saiba quanto custam as catástrofes naturais aos cofres do Estado e às seguradoras

Seca é um dos fenómenos naturais que mais pesa nas contas nacionais. Em 2005, os prejuízos da seca chegaram aos 290 milhões.
Sofia Martins Santos 2 de Outubro de 2019 às 13:07
Furacão Lorenzo
Furacão Lorenzo FOTO: Pedro Ramos Bichardo

Todos os anos, as catástrofes naturais e os desastres causados por mão humana pesam nas contas mundiais. Em Portugal, não é diferente. Os dados mais recentes mostram que o cenário não difere das tendências globais e pode até dizer-se que as estimativas podem pecar, mas apenas por defeito.

Uma análise da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) explica que, por exemplo, no caso dos incêndios florestais, as análises apontam para um custo médio que chega aos 100 milhões de euros anuais. No entanto, o diagnóstico feito pela APA mostra que existem anos em que as contas se tornam muito mais complicadas. Em 2017, por exemplo, os fogos de junho chegaram aproximadamente aos 500 milhões de euros. No caso dos incêndios de outubro, as seguradoras depressa apuraram que a tragédia ascendia a 200 milhões.

Um outro caso que muito pesa nas contas nacionais é a seca. De acordo com este organismo, em 2005, os prejuízos da seca chegaram aos 290 milhões de euros. Um cenário que já se tinha visto no país quando, em 2012, o período de seca gerou uma fatura superior a 200 milhões de euros.

Ao CM, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) mostra alguns dos valores gastos com alguns dos "principais fenómenos extremos ocorridos entre 2017 e 2019". Por exemplo, a tempestade Leslie, que afetou o país em outubro do ano passado, gerou um total de indemnizações pagas e provisões constituídas que chegou aos 100,7 milhões de euros. Só nesta situação foram 31 726 casas e 3 945 empresas. 

Alterações climáticas e o peso catástrofes naturais
De acordo um relatório, publicado no ano passado pela Swiss Re, o ano ainda não tinha terminado e o impacto negativo de todos os desastres que afetaram vários países chegavam já aos 136,4 mil milhões. Em 2017, além das perdas em termos de vidas, abriu-se um buraco de 307,9 mil milhões de euros em consequência deste tipo de situações.

A preocupação com o ambiente tem vindo a intensificar-se e são cada vez mais as vozes que alertam para o facto de o impacto das alterações climáticas se manifestar de diversas formas.

A Comissão Europeia explicava, no ano passado, que só os prejuízos diretos das inundações chegaram aos 90 mil milhões nos últimos anos. Além disso, os vários diagnósticos que têm vindo a ser feitos apontam para o facto de os fenómenos meteorológicos extremos estarem a aumentar de forma exponencial. A Organização das Nações Unidas (ONU) já chegou mesmo a explicar que "as alterações climáticas são a maior ameaça coletiva do planeta e que continuam a andar mais depressa que nós próprios".

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