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110 mil sofrem com Alzheimer

Esquecer a idade, o aniversário ou alguém muito querido, arrumar e desarrumar vezes sem conta e repetir o que já se disse são situações partilhadas por doentes de Alzheimer. A memória é roubada no somar dos dias e os sinais da doença são, muitas vezes, confundidos com o envelhecimento.

10 de fevereiro de 2013 às 01:00

Em Portugal, estima-se que a doença de Alzheimer afete cerca de 110 mil pessoas, de acordo com a associação Alzheimer Portugal (AP). Em todo o Mundo, são 19 milhões de doentes.

As mulheres são as que mais sofrem com este tipo de demência. A genética, a idade e patologias como hipertensão arterial e diabetes são alguns dos fatores de risco da doença neuro-degenerativa.

"O principal impacto é a perda de autonomia e segurança. Os doentes vivem sem referências de tempo e espaço e sem lembranças do presente e do passado", explica ao CM Olívia Robusto, médica psiquiatra, que lamenta a inexistência de cura da doença. "Tratamos a doença de uma forma ainda muito insuficiente. Não podemos fazer prevenção sem saber a causa ou causas do Alzheimer". Olívia Robusto recomenda um "pacote terapêutico" para retardar e prevenir o agravamento da doença: "Socialização, estimulação cognitiva e uma dieta adequada".

No Serviço Nacional de Saúde não há tratamento especializado para os doentes, explica Carneiro da Silva, presidente da AP. "O Governo tem muito a fazer. Faltam unidades de saúde de cuidados nesta doença e especialização nas já existentes", afirma o especialista. n

"HÁ O RISCO DE O DOENTE SE PERDER"

DISCURSO DIRETO: Carneiro da Silva, Pres. Alzheimer Portugal

Correio da Manhã – Como devem ser acompanhados os doentes?

Carneiro da Silva – O doente deve ter espaços amplos para circular e atenção permanente de dia e de noite, pois há o risco de se perderem. Os centros de dia são uma boa opção para os familiares que não podem ser cuidadores.

– Os familiares conseguem suportar o custo de um lar?

– Há pessoas que já nem suportam pagar 80 euros num centro de dia. Num lar, o custo médio é de 2500 euros. É insustentável.

– Não há alternativas?

– Muitos dos lares tradicionais não têm especialidade nestes cuidados continuados. A Segurança Social devia apoiar mais. Nos apoios existentes, os valores são inferiores aos custos reais.

"MUDANÇA AFETOU A FAMÍLIA TODA"

"A minha mãe arrumava e desarrumava a carteira vezes sem conta. Quando ia ao cabeleireiro tinha dificuldade em encontrar o lugar onde tinha estacionado o carro e os caminhos começaram a ser lugares desconhecidos". A descrição é de Rita de Vasconcellos, de 56 anos, residente no Estoril, que explica como surgiu o Alzheimer na vida da mãe, Maria Augusta.

"A minha mãe teve os primeiros sintomas aos 60 anos e esta mudança afetou a família toda. Quando deu conta de que estava a perder faculdades, agarrou-se à repetição de dados em cadernos e folhas de papel para não esquecer", conta Rita, arquiteta. Maria Augusta, hoje com 73 anos, dedicou a vida a ensinar Yoga e é acompanhada pelos três filhos, que lhe prestam toda a atenção possível.

CONSULTÓRIO CM

OTORRINO: Utilização dos cotonetes é uma manobra perigosa

Por Dr. Carlos Ribeiro

Os especialistas desaconselham o uso de cotonetes. Como devo garantir a minha higiene pessoal?

Ana Rita Monteiro, Murtosa

O canal auditivo externo é revestido por pele fina, muito sensível e friável. Está posicionada sobre as estruturas rígidas do canal auditivo, sem possuir a capacidade de deslizamento que caracteriza a pele de outras regiões do corpo. É muito sensível a traumatismos e lesões, mesmo por objetos de aspeto macio como são os cotonetes. Ao fundo do canal auditivo, a membrana do tímpano e a cadeia ossicular são estruturas frágeis, cuja lesão acarreta graves prejuízos. A utilização dos cotonetes é uma manobra perigosa, realizada sem controlo visual sobre estruturas frágeis.

Os zumbidos na cabeça têm origem no facto de andar constantemente nervoso, pois tenho psoríase em 60% do corpo. Com tratamento adequado os zumbidos podem passar?

Rui Alexandre, Lisboa

O zumbido ou acufeno corresponde a uma sensação de som percebida pelo paciente, não gerada por um som exterior. Em grande número de casos corresponde a uma disfunção das células do ouvido interno, lesões da via auditiva ou de estruturas que com ela contactam. Várias doenças gerais também podem motivar o aparecimento de zumbido. As alterações do sistema nervoso agravam este sintoma. O paciente deve sempre consultar o médico para uma avaliação geral e o especialista de ORL para o estudo específico da área auditiva.

Tenho 81 anos e há um mês tive uma infeção no ouvido direito que limitou muito a audição. Ainda posso vir a recuperá-la?

Jorge Resende, Santo Tirso

A perda súbita da audição, em contexto de infeção aguda do ouvido, resulta quase sempre da acumulação de uma coleção líquida na caixa do tímpano, diminuindo a sua capacidade de vibração bem como o funcionamento da cadeia ossicular. Nestes casos, resolvida completamente a infeção e a inflamação, a audição deve voltar aos níveis anteriores. Em casos mais raros, a infeção pode também lesar as células do ouvido interno e aí a recuperação da audição é muito difícil. É importante consultar o seu médico para beneficiar do tratamento adequado.

CONSELHOS

Após o banho, use nos ouvidos apenas a ponta da toalha ou compressa para fazer a higiene. Evite o uso de cotonetes.

Se tiver comichão no canal auditivo consulte o seu médico. Não aplique remédios sem a sua indicação. Podem ser prejudiciais.

Se tem perfuração do tímpano não deixe entrar água nos ouvidos: proteja-os com um tampão auricular ou com algodão.

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