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200 queixas de funcionários contra o site da Justiça

Programa Citius não funcionou a maior parte do dia. Tribunais ficaram parados, mas ministra lembra que é a maior revisão em 200 anos.
Cristina Serra 2 de Setembro de 2014 às 18:48
Processos levados do Tribunal de Loures para os monoblocos
Processos levados do Tribunal de Loures para os monoblocos FOTO: Miguel A. Lopes / Lusa

O novo mapa judiciário arrancou ontem com problemas na plataforma informática de gestão dos processos, o Citius, mas não só. Os funcionários judiciais já apresentaram cerca de 200 reclamações no processo de recolocação pelas novas comarcas, num universo de milhares. Os números são avançados por Pedro Lima Gonçalves, da Direção-Geral da Administração da Justiça, no dia em que o Citius não funcionou até às 18h20.

No capítulo de redistribuição de funcionários judiciais, Rui Pereira, do Instituto de Gestão Financeira e dos Equipamentos da Justiça, justifica: "Nas rotinas de qualidade, os processos estavam mal sinalizados e poderiam ficar pendurados algures. Preferimos atrasar algumas horas a [re] abertura do Citius."

A inatividade do programa, responsável pela gestão de todo o tipo de diligências processuais, levou à paralisação dos tribunais e, segundo Fernando Jorge, do Sindicato dos Funcionários Judiciais, muitas pessoas "foram aconselhadas a ir para casa e voltar na próxima semana".

Mesmo depois das 19h00, o acesso ao Citius foi muito limitado. Por exemplo, no Tribunal de Faro, os funcionários foram avisados de que hoje o programa deverá continuar inativo. Além do problema informático, a instalação provisória do tribunal em contentores também dificultou o arranque do novo mapa judiciário na capital do distrito algarvio.

A mudança dos processos do edifício do tribunal, que vai ser alvo de obras, devia ter sido feita nas férias judiciais. Mas os contentores apenas receberam energia elétrica na semana passada e só então foi iniciada a transferência. Centenas de processos estão amontoados num contentor e só com o tempo os funcionários os colocarão em ordem. "Por agora só vão avançar processos urgentes, que envolvam presos", garantiu fonte do tribunal algarvio.

Logo pela manhã, a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, rebatia as críticas ao Correio da Manhã: "É uma grande reorganização, que não se fazia há 200 anos. Obviamente que há de falhar aqui ou ali qualquer coisa." Mais: "Não arriscaremos um milímetro um projeto se tivermos de deslizar uma hora, duas horas. É impossível não acontecerem percalços", garantiu.

Administração da Justiça Fernando Jorge Sindicato dos Funcionários Judiciais Paula Teixeira da Cruz
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