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Anestesista julgado pelo crime de homicídio por negligência de criança de quatro anos.
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Médico pede desculpa a pais de menina morta
José Macieira, médico anestesista do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, em Penafiel, que começou ontem a ser julgado pelo crime de homicídio por negligência no caso da morte de Rafaela Ferreira, de quatro anos, pediu desculpa à família da menina durante o seu depoimento.
No Tribunal de Penafiel, o clínico repetiu várias vezes que "o que aconteceu à Rafaela não tem explicação" e defendeu que o que fez "foi o correto", contestando assim a acusação do Ministério Público, que aponta o excesso de soro administrado na sequência de uma operação à garganta como estando na origem da morte da menina.
"O médico disse em tribunal ter falado comigo quatro vezes, mas isso é mentira. Nem sequer sabia quem ele era, nem o conhecia. A minha filha vomitava constantemente após a operação e a enfermeira ligava ao médico, que já não estava no hospital, para perguntar o que fazer. Foi desesperante", contou Fernanda Nunes, mãe de Rafaela, que recordou na sala de audiências os momentos de agonia que viveu junto da filha a 16 de novembro de 2013. A menina morreu três dias depois.
Durante a sessão, a juíza questionou várias vezes o arguido sobre quem seria responsável pela alta da menina, uma vez que o médico diz ter saído com ordens dadas à enfermeira e não a um médico que se pudesse responsabilizar pelo caso.
Tribunal pede dados sobre a hora da saída
A juíza do Tribunal de Penafiel fez um requerimento para pedir ao Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa informações sobre a razão pela qual José Macieira foi o único médico que não registou o seu horário de saída no dia em que operou Rafaela. O arguido garantiu que realizou cirurgias até às 13h30 e terá saído cerca das 14h30, sem margem para acompanhar a saída do último paciente do recobro e dar a alta pessoalmente.
Advogado aplaude investigação
"Apesar de ter demorado 5 anos, é de louvar o intenso e complicado trabalho feito pelo Ministério Público para chegar até aqui. Devemos privilegiar a ética sobre o corporativismo e espero que isso aconteça com a prova testemunhal", disse Rui Reis, advogado dos pais da menina.
SAIBA MAIS
23h09
Foi a hora a que deu entrada Rafaela Ferreira no Hospital de São João, no Porto, no dia 16 de novembro de 2013, transferida de Penafiel devido à gravidade dos sintomas e com suspeitas de "morte cerebral". A menina morreu a 19 de novembro.
Pedido de indemnização
O advogado dos pais da criança revelou que já decorre o processo para uma indemnização. "A família está mais concentrada em que se faça justiça, mas já demos andamento a essa situação", explicou ao CM.
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