Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade

Plataforma apela ao Governo para que proíba venda de herbicidas com glifosato

Análises demonstraram uma exposição recorrente ao herbicida e apontam para uma contaminação generalizada por glifosato em Portugal.
Lusa 25 de Fevereiro de 2019 às 11:03
Plataforma apela ao Governo para que proíba venda de herbicidas com glifosato
Plataforma apela ao Governo para que proíba venda de herbicidas com glifosato
Plataforma apela ao Governo para que proíba venda de herbicidas com glifosato
Plataforma apela ao Governo para que proíba venda de herbicidas com glifosato
Plataforma apela ao Governo para que proíba venda de herbicidas com glifosato
Plataforma apela ao Governo para que proíba venda de herbicidas com glifosato
A Plataforma Transgénicos Fora apelou esta segunda-feira ao Governo para que proíba a venda de herbicidas à base de glifosato, que apoie os agricultores e que se torne obrigatória uma análise à agua para consumo.

O apelo da Plataforma Transgénicos Fora surge na sequência dos resultados de um estudo lançado em 2018 para testar a presença de glifosato em voluntários portugueses.

As análises demonstraram uma exposição recorrente ao herbicida e apontam para uma contaminação generalizada por glifosato em Portugal.

Em comunicado, a Plataforma faz também um apelo ao Governo para que lance um estudo abrangente sobre a exposição dos portugueses ao glifosato e proíba a venda deste herbicida para usos não profissionais.

A Plataforma quer análise obrigatórias para detetar glifosato na água de consumo e o fim do uso de herbicidas sintéticos na limpeza urbana.

Na nota, a entidade pede ainda ao Governo apoio aos agricultores na transição para uma agricultura pós-glifosato nos próximos anos.

A organização sublinha que pela "primeira vez em Portugal foi possível calcular os valores de exposição efetiva ao glifosato (que levam também em consideração o AMPA - substância em que o glifosato se transforma quando começa a degradar-se) e os resultados, quando comparados com outros países europeus, mostram uma diferença preocupante".

Em declarações à agência Lusa, a bióloga da Plataforma Margarida Silva, indicou que em julho de 2018 foram recolhidas amostras de urina a 62 voluntários, 56 adultos e seis crianças, tendo 65% acusado glisofato.

"Em outubro de 2018, a análise foi repetida, tendo participado 44 pessoas. O glifosato foi detetado em 100% das amostras", referiu.

De acordo com os dados do estudo, enquanto na média de 18 países se verificou que 50% das amostras estavam contaminadas, as duas rondas de testes em Portugal estavam acima desse valor -- e em outubro a contaminação foi detetada em 100% das amostras.

A Plataforma já tinha levado a cabo, em 2016, uma outra colheita a 26 pessoas que veio confirmar também a presença da substância em 100% dos casos.

"Em 2016 houve uma amostragem tão aleatória quanto possível: nenhum dos voluntários escolhidos consumia agricultura biológica ou estava ligado a alguma corrente ou preocupação particular com a alimentação", segundo a Plataforma.

Já em 2018, os participantes inscreveram-se por iniciativa própria e cerca de 80% dos inscritos identificaram-se como consumidores de alimentos biológicos.

"Estes resultados mostram que o problema não está resolvido, que as pessoas estão a ser contaminadas recorrentemente. Estamos expostos todos os dias e a alterar o nosso microbioma intestinal, que as investigações apontam nesse sentido é dos sistemas mais importantes do ponto de vista da perseveração da nossa saúde e equilíbrio metabólico", disse.

De acordo com Margarida Silva, podem estar aqui muitos dos problemas de saúde dos portugueses.

O glifosato é o herbicida mais usado em Portugal e causa cancro em animais de laboratório, estando classificado pela Organização Mundial de Saúde como carcinogéneo provável para o ser humano.

"Este estudo exploratório é uma forma de pressionar o Governo a tomar medidas para esclarecer o que se passa, saber se há focos específicos de contaminação e por outro lado ir preparando o caminho para o desaparecimento do glifosato. Os nossos agricultores precisam de aprender outras práticas. Não podemos deixar que a nossa agricultura fique atrás de outros países", concluiu.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)