Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade

Álcool e canábis são as substâncias psicóticas mais consumidas por jovens nos Açores

Maior incentivo ao consumo são as festas e os amigos, segundo um estudo apresentado.
Lusa 26 de Julho de 2019 às 18:31
Cigarro de canábis
Cigarro de canábis
Cigarro de canábis
Cigarro de canábis
Cigarro de canábis
Cigarro de canábis
Cigarro de canábis
Cigarro de canábis
Cigarro de canábis
O álcool é a substância psicótica mais consumida pelos jovens em todas as ilhas dos Açores, seguido da canábis, e o maior incentivo ao consumo são as festas e os amigos, segundo um estudo apresentado esta sexta-feira.

O estudo de caracterização do consumo de substâncias psicóticas na Região Autónoma dos Açores envolveu cerca de 12 mil adolescentes, abrangendo jovens que frequentam as escolas públicas da região.

Realizado a pedido do Governo dos Açores, através da Secretaria Regional da Saúde, este estudo iniciou-se em 2017 e foi elaborado por uma equipa da Universidade dos Açores, coordenada pela investigadora Célia Carvalho.

Durante a investigação foi realizada uma análise qualitativa do consumo de substâncias psicoativas e uma análise descritiva dos comportamentos.

Em declarações aos jornalistas, à margem da apresentação do estudo, em Ponta Delgada, a coordenadora do trabalho disse que o álcool é a substância mais consumida, enquanto a canábis é a segunda substância com maior percentagem experimental entre os adolescentes.

"Em termos de comportamentos de consumo de substâncias a grande conclusão é que não estamos tão mal como pensávamos quando iniciámos o estudo. Foi muito importante termos a possibilidade de fazermos este estudo massivo com todos os adolescentes, mas há muito caminho para andar e estamos em condições de fazer esse caminho", referiu a professora da Universidade dos Açores Célia Carvalho.

A psicóloga adiantou que o estudo aponta um dado que "surpreendente", com "os adolescentes a queixarem-se da falta de supervisão dos pais".

As festas são apontadas no estudo como um dos fatores que levam os adolescentes a determinados comportamentos, tendo a investigadora frisado que uma das medidas de prevenção desenhadas pelo estudo "é a mobilização das forças da comunidade".

"Parece existir um sentimento de desresponsabilização e de despreocupação" em termos da comunidade, sustentou ainda Célia Carvalho, indicando que o estudo sugere 10 estratégias de intervenção, entre as quais a criação de comissões de acompanhamento em que todos os cidadãos e agentes da sociedade têm um papel ativo para a criação de medidas preventivas, incluindo nas escolas.

Célia Carvalho salientou, por outro lado, que no caso da mais pequena ilha dos Açores, o estudo permitiu aferir que no Corvo "a escola acaba por ser um fator de proteção" para um menor consumo.

"As medidas apresentadas no estudo vão desde o envolvimento comunitário ao reconhecimento de que de facto tem de haver legislação e políticas que sejam restritivas destes consumos", acrescentou.

A secretária regional da Saúde sublinhou estar-se perante "um importante estudo", destacando que "é o primeiro com uma abrangência de 12 mil jovens e que permite um retrato da situação existente".

"É importante salientar que, entre as 10 medidas, muitas delas já estão a ser implementadas com muitas das ações no terreno", sublinhou a titular pela pasta da Saúde nos Açores, em declarações aos jornalistas.

Teresa Luciano lembrou ainda que "este ano os Açores, e pela primeira vez a nível nacional, publicaram um decreto-lei relativo ao álcool em que só a partir dos 18 anos é que é permitido o consumo" e sublinhou ainda que "os pais são responsabilizados nessa medida".
Região Autónoma dos Açores Célia Carvalho Saúde álcool canábis Açores
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)