Foram criadas iniciativas na área da saúde, bem-estar e também na literacia financeira.
A Nestlé Portugal aumentou o salário dos seus trabalhadores em 1.000 euros ano em 2022, que acumulou com a subida anual verificada em março, indicou a empresa.
"Aumentámos em 1.000 euros o salário anual de todos os colaboradores em Portugal, o que foi mais importante para as pessoas que tinham um salário mais curto", adiantou a diretora-geral da Nestlé Portugal, Anna Lenz, que falava aos jornalistas, em Lisboa.
Estes trabalhadores beneficiam também do aumento anual, que, normalmente, ocorre em março.
O ano passado ficou marcado pelo regresso dos trabalhadores às instalações da Nestlé Portugal e, por isso, a empresa adotou um conjunto de iniciativas para disponibilizar "formas flexíveis de trabalho", referiu a diretora ibérica de Recursos Humanos da marca, Maria do Rosário Vilhena.
No mesmo sentido, foram criadas iniciativas na área da saúde, bem-estar e também na literacia financeira.
Em resposta aos jornalistas, a diretora-geral da Nestlé Portugal, Anna Lenz, disse ainda que este ano foi marcado por vários desafios, nomeadamente a guerra na Ucrânia e a inflação, que se juntaram ao impacto das alterações climáticas, levando também ao aumento dos custos de produção.
Para precaver este impacto a marca comprou "muitas matérias-primas", conseguindo assim continuar a fornecer os consumidores, apesar de ter verificado alguns constrangimentos, por exemplo, no segmento da alimentação animal, que depende dos cereais.
Ainda assim, neste período, houve uma subida dos preços para o consumidor final, em produtos como os cereais, devido à subida dos custos.
"A crise impactou todos e nós fizemos de tudo e demos o nosso contributo" para mitigar esses aumentos, garantiu Lenz.
Já sobre as margens de lucro, o diretor de comunicação da Nestlé Portugal, Gonçalo Granado, disse que é à "distribuição que cabe definir qual é a mais sustentável para o seu negócio".
No entanto, sublinhou que a Nestlé tentou encontrar "otimizações" na cadeia de distribuição, de modo a que os consumidores "tenham acesso aos melhores produtos, ao melhor preço", vincando que não cabe à empresa comentar se "a margem é ou não elevada".
Na quinta-feira, o ministro da Economia e do Mar afirmou não ser muito favorável à imposição de preços ao mercado, notando que o ideal seria a autorregulação, e vincou estar a equacionar medidas "musculadas".
"Estamos a equacionar todas as opções, inclusive as mais musculadas, mas queremos tomar essas medidas na posse de toda a informação recebida", assegurou, na altura, António Costa Silva, em conferência de imprensa, em Lisboa.
O governante vincou "não ser muito favorável" à imposição de preços aos mercados, notando que, muitas vezes, o efeito não é o desejado.
Neste sentido, defendeu que o ideal seria chegar a uma fase em que o sistema e os próprios operadores respondem e assumem "a responsabilidade social de ter cabazes de produtos mais baixos [...] e publicitam os produtos essenciais que vendem de forma mais em consonância com o que os consumidores esperam".
Costa Silva anunciou ainda que quer sentar a produção, transformação e distribuição à mesma mesa para chegar a "uma verdade objetiva" sobre as margens de lucro, uma vez que, no momento, "cada uma delas tem a sua narrativa".
Já esta sexta-feira, o diretor de comunicação da Nestlé Portugal, Gonçalo Granado, assegurou que, a serem chamados, estarão naturalmente presentes nessa reunião.
"É fundamental que o Governo tenha um conhecimento profundo da forma como, desde os agricultores, até à distribuição e consumo final, cada indústria e negócio se processa", defendeu, sublinhando que a indústria alimentar "gera emprego, paga impostos e contrata serviços", sendo assim um "parceiro muito ativo na economia nacional".
Já sobre uma possível intervenção do executivo nos preços, Granado disse que "em alguns setores" pode existir, mas ressalvou que não pode ser "uma prática generalizada".
"Temos exemplos dessas práticas noutros setores e não funcionaram", concluiu.
A Nestlé, que tem sede em Vevey, Suíça, detém marcas como a Friskies, KitKat, Mocambo, Sical, Purina, Nescafé, Nestum e Cerelac.
A empresa está presente em 186 países em todo o mundo, contando com 276.000 colaboradores.
Em Portugal, está presente desde 1923 e tem 2484 trabalhadores.
A Nestlé Portugal totalizou um volume de negócios de 677 milhões de euros em 2022, uma subida homóloga de 8,3%.
Neste período, investiu 73 milhões de euros em 2022, 30 milhões dos quais em operações e 43 milhões no apoio às atividades de 'marketing' e de comunicação.
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