SNS ainda não tem indicação para utilizar o medicamento Abemaciclib na prevenção de recidivas.
'O meu mundo desabou': Enfermeira com cancro lança petição para medicamento ser comparticipado
Ana Rita Campos, uma enfermeira de 42 anos e mãe de duas crianças de três e seis anos, luta contra um cancro nas mamas. Pede ajuda para pagar o tratamento que pode evitar recidivas em órgãos vitais, com o Abemaciclib, que não é comparticipado pelo Estado e custa 3500 euros por mês. Lançou uma petição para que o medicamento seja comparticipado. E há várias iniciativas que a pretendem ajudar, sendo a próxima a 1 de julho, em Odivelas.
"No ano 2022, ainda a amamentar a minha filha mais nova (na altura com dois anos de idade), senti uma dor forte na mama enquanto estava a dar um abraço bem apertadinho ao meu filho. Depois de uma série de exames, veio o diagnóstico que tanto receava: carcinoma invasivo da mama e bilateral (afinal também tinha na outra mama embora sem qualquer desconforto ou sensação de nódulo). O meu mundo desabou. Só conseguia pensar no 'Porquê a mim? Sou uma mulher nova, a amamentar (negar a mama à minha filha de forma repentina foi outra dor!), com hábitos de vida saudáveis e considero-me uma pessoa de bem, que gosta de ajudar o próximo'", começa por contar Ana Rita Campos na página da Go Fund Me, através da qual pede ajuda para pagamento do tratamento.
"Entretanto, começou todo o processo de tratamento: quimioterapia neoadjuvante, mastectomia bilateral e posterior linfadenectomia axilar à esquerda e radioterapia. Infelizmente, em cada mama tinha um tumor de tipo diferente (o que complica o tratamento e prognóstico) e na axila esquerda já havia seis gânglios linfáticos axilares com células cancerosas com extensão extraganglionar. Assim, com estes resultados constatou-se que no meu caso existe um muito elevado risco de, principalmente nos próximos 10 anos, ter recidivas da doença noutro local (metástases cerebrais, ósseas e hepáticas passando assim a ser uma doença incurável). Por esta razão, fui proposta para realizar mais um tratamento durante mais dois anos com Abemaciclib (Verzenius) em combinação com hormonoterapia", explica.
Só que o Serviço Nacional de Saúde ainda não tem indicação para utilizar o Abemaciclib na prevenção de recidivas. Apenas é utilizado para tratamento paliativo, ou seja, quando a doença já é incurável. "Como este medicamento tem um valor extremamente elevado (cerca de 3500 euros por mês durante dois anos) e, não sendo coberto nem pelo Serviço Nacional de Saúde, nem pela ADSE, não tenho condições financeiras para realizar o tratamento num hospital privado com o custo totalmente suportado por mim", refere Ana Rita. Reconhece que não há qualquer medicamento que lhe dê 100% de certeza de não voltar a ter cancro, mas quer agarrar-se ao que lhe der maior probabilidade de acompanhar por mais tempo o crescimento dos filhos.
Entretanto, lançou uma petição pública para apelar à comparticipação do medicamento Abemaciclib no Sistema Nacional de Saúde e pela ADSE, como forma de tratamento adjuvante, em combinação com hormonoterapia, para prevenção de recidivas de cancro da mama com recetores hormonais positivos e fator de crescimento epidérmico humano negativo. Os signatários, que são já quase sete mil, "também apelam para que o Infarmed seja mais célere no processo de autorização de todos os medicamentos que são aprovados pela Agência Europeia do Medicamento", considerando que essa demora "pode fazer a diferença entre a vida e a morte de uma pessoa".
Esta causa tem sido apoiada por vários cidadãos, que estão a organizar iniciativas solidárias. A próxima é um torneio solidário de futsal, que decorrerá a 1 de julho, em Odivelas. Está a ser organizado pela associação desportiva Forças de Segurança Unidas em parceria com os Bombeiros de Odivelas. As inscrições de equipas estão em curso. A associação necessita de apoio para a deslocação a Odivelas "para ajudar quem precisa de ajuda", refere ao CM Bruno Brini, líder da Forças de Segurança Unidas.
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