Urgência regional de Ginecologia/Obstetrícia começa na segunda-feira e vai receber utentes desde Odivelas a Benavente. Ministra reuniu com autarcas para discutir encerramento da UGO do Barreiro.
A partir das 9h00 de segunda-feira, a Urgência Regional de Ginecologia e Obstetrícia de Loures-Odivelas/Estuário do Tejo começa a receber utentes dos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira. Nalguns casos, as utentes terão de fazer 50 ou mais quilómetros para serem atendidas no SNS em caso de urgência, como no caso das que residem em Benavente, no Ribatejo.
O despacho que determina o funcionamento da UCR_GINOBS-LOET, como define a Direção-Executiva do SNS, foi esta terça-feira enviado para publicação em Diário da República, e refere que esta urgência irá funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana. "O funcionamento da Urgência Centralizada será articulado entre as duas ULS, de modo a garantir a afetação adequada de recursos humanos", refere a DE-SNS.
As equipas da ULS Loures/Odivelas asseguram 80% da prestação contínua dos cuidados de urgência, enquanto as equipas da ULS Estuário do Tejo asseguram os outros 20%.
Segundo a DE-SNS, "a maternidade do Hospital de Vila Franca de Xira vai continuar a funcionar", incluindo partos programados e consultas abertas de ginecologia e obstetrícia. Apenas o serviço de urgência deixa de estar disponível: no ano passado, a Urgência de Ginecologia e Obstetrícia (UGO) de Vila Franca de Xira foi a que teve menos procura na Grande Lisboa, com uma média de 12 episódios por dia.
O presidente da autarquia de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, critica a decisão sem que os autarcas tenham sido ouvidos. "É uma decisão totalmente irracional e totalmente contrária ao interesse das pessoas", acusou, na TSF.
Já sobre o encerramento da UGO do Hospital do Barreiro, a DE-SNS não se compromete com uma data. Esta UGO esteve fechada esta terça-feira e permanece esta quarta-feira encerrada. Está aberta entre quinta-feira e sábado, fechando de novo no domingo.
Esta terça-feira, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, reuniu com os autarcas da Península de Setúbal, para discutir o encerramento da UGO do Hospital do Barreiro - a segunda da Grande Lisboa com menos episódios no ano passado, cerca de 15 por dia. As utentes deste serviço deverão passar a ser servidas pela urgência regional no hospital Garcia de Orta, em Almada, uma decisão contestada pelos autarcas da região. No final da reunião, o presidente da Câmara do Barreiro, Frederico Rosa, afirmou ao CM que os autarcas encaram a decisão "com muita preocupação", pois "o encerramento da urgência é um passo decisivo para o encerramento do serviço, pois será mais difícil atrair e contratar profissionais". Os autarcas fizeram questão de mostrar à ministra que "tem de existir diálogo, não faz sentido sabermos das decisões sem sermos ouvidos". No caso da UGO do Barreiro, deverá fechar ainda este mês, mas há muitos profissionais que se recusam em mudar para o Garcia de Orta.
Ordem contra limite nas cirurgias e consultas
A Ordem dos Médicos exigiu na terça-feira a reversão da medida que limita as cirurgias e consultas hospitalares. "Esta opção não traduz qualquer ganho de eficiência: trata-se de um travão administrativo com impacto clínico negativo para os doentes", alertou a OM. A Direção-Executiva do SNS negou ter dado instruções aos hospitais para reduzirem a atividade assistencial.
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