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Correio da Manhã

Sociedade
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27 mil jovens vão ser vacinadas até 2009

Os centros de saúde têm dois meses para vacinar 27 500 jovens contra o papiloma vírus, responsável pelo cancro do colo do útero. A meta da Direcção-Geral da Saúde (DGS) é chegar a Dezembro com metade das 55 mil jovens de 13 anos imunizadas com a primeira dose da vacina.

26 de Outubro de 2008 às 00:30
Vacina deve ser administrada antes do início da vida sexual, para ser mais eficaz
Vacina deve ser administrada antes do início da vida sexual, para ser mais eficaz FOTO: Sérgio Lemos

Cabe a cada centro de saúde decidir como vai gerir o processo, explica o director-geral da Saúde, Francisco George. Caso a procura voluntária não chegue aos níveis esperados, as unidades de saúde podem contactar as mulheres, enviando-lhes postais para comparecerem à vacinação, que é totalmente gratuita.

A Gardasil (a vencedora do concurso público) começa a ser dada amanhã, dia em que a ministra Ana Jorge vai ao centro de saúde de Oeiras para assinalar o início do processo. Francisco George garante que, mesmo que a procura seja grande desde o primeiro dia, os centros de saúde já têm as doses necessárias para começar a vacinar todas as jovens nascidas em 1995, não sendo esperadas rupturas de abastecimento. Como cada vacina é dada em três doses, é necessário 165 mil nas unidades de saúde para esta primeira fase. No concurso público, foram encomendadas 169 mil doses para o primeiro ano, o que terá um custo de mais de nove milhões de euros (cada dose será adquirida por 55 euros).

Este ano apenas as jovens de 13 anos têm directo à imunização. A partir de 2009, começam a ser vacinadas as mulheres nascidas depois de 1995. também para o ano quem nasceu a partir de Janeiro de 1992 terá direito a este produto gratuito.

EVITAR MAIS DE 300 MORTES POR ANO NO PAÍS

O cancro do colo do útero é o segundo tipo de cancro mais frequente nas mulheres. Portugal apresenta uma taxa acima da média europeia e regista mais de 300 mortes por ano devido a esta doença, de um total de 958 casos registados. Mas, diz a Direcção-Geral de Saúde (DGS), há outros dados que indiciam valores ainda mais altos. É o caso dos registos dos tratamentos nos hospitais que apontam para "mil novos casos todos os anos".

Os especialistas consideram que há 2292,5 anos de vida potencialmente perdidos pelo País devido a esta doença. O facto de não existir um programa nacional de rastreio organizado é outro dos problemas que contribui para a elevada taxa de mortalidade – o vírus pode manter-se vários anos sem sintomas e o cancro desenvolve-se lenta e progressivamente por 20 ou mais anos. Por isso, a maior incidência é entre os 45 e os 55 anos.

PERGUNTA / RESPOSTA

- Quem se pode vacinar?

- Este ano, todas as jovens de 13 anos, nascidas em 1995. Quem tiver iniciado a vacina por conta própria, pode terminar o processo nos centros de saúde, de forma gratuita. Para o ano, são vacinadas as que nasceram em 1996 e assim sucessivamente. Também a partir de 2009, as autoridades vão recuperar para a vacinação as que nasceram a partir de 1992.

- Como é administrada?

- Em três doses, com intervalos mínimos de um mês entre as 1.ª e a 2.ª doses e de três meses entre as 2.ª e a 3.ª. É injectada e a jovem deve permanecer meia hora no centro de saúde após receber a vacina.

- E com outras vacinas?

- Só pode ser administrada em simultâneo com a vacina contra a Hepatite B. Para as outras recomenda-se um intervalo de quatro semanas.

- Para que serve?

- Como protecção para quatro tipos do papiloma vírus. Este vírus é responsável por 70% dos casos de cancro do colo do útero, mas também provoca o cancro na vagina e ânus e verrugas genitais. Além da vacina deve fazer-se o despiste, através de uma citologia ou papanicolau.

- Quando é mais eficaz?

- Se for dada antes de as mulheres iniciarem a vida sexual. Não protege contra outras doenças sexualmente transmissíveis.

 

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