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Correio da Manhã

Sociedade
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9700 sobrevivem com hemodiálise

Depender de uma máquina para o resto da vida é uma máxima associada à hemodiálise, que as redes de tratamento querem ver ultrapassada devido à carga negativa. Certo é que os 9700 doentes renais crónicos do País apenas sobrevivem se o tratamento que substitui as funções dos rins for assegurado. Os avanços tecnológicos e o alargamento da rede de cuidados trazem mais qualidade de vida aos utentes.
6 de Junho de 2010 às 00:30
Regra geral, os utentes da hemodiálise fazem tratamento durante 12 horas por semana, divididas em três períodos de quatro horas. O processo devolve alguma qualidade de vida
Regra geral, os utentes da hemodiálise fazem tratamento durante 12 horas por semana, divididas em três períodos de quatro horas. O processo devolve alguma qualidade de vida FOTO: Carlos Ferreira

A hemodiálise começou a ser estudada ainda no século XIX, mas em 1965 estavam registados em toda a Europa apenas 150 doentes. Os governos só mais tarde se aperceberam de que a incidência na população era galopante. Aí, já as redes privadas se começavam a especializar. Estima-se que actualmente no Mundo existam 1,5 milhões de pessoas em tratamento.

Estes factos históricos explicam muito daquilo que é a realidade em Portugal. O Estado, através do Pagamento Compreensivo, em vigor desde 2008, entrega à rede público/privada, composta por 112 unidades, cerca de 540 euros por semana, por utente, e faz com que os custos sejam iguais, quer estejam em tratamento nos hospitais ou nas clínicas privadas, onde estão em tratamento 95 por cento destes doentes.

DISCURSO DIRECTO

'SISTEMA DÁ TODAS AS GARANTIAS': António Sousa, Nefrologista

Correio da Manhã – Como evoluiu a hemodiálise nos últimos anos?

António Sousa – Há 25 anos tinha--se noção de que os doentes renais eram poucos, mas o número começou a subir muito, porque há mais diabéticos, mais hipertensos, etc, e só os privados conseguiram dar viabilidade ao sistema.

– O modelo actual, predominantemente privado e com o Pagamento Compreensivo, dá garantias aos utentes?

– Sim, todas as garantias. Aliás, Portugal está à frente de outros países com sistemas diferentes. É uma actividade muito legislada e os médicos são muito cuidadosos. 

O MEU CASO: CATARINA BARNABÉ

MELHORIA NOS TRATAMENTOS

Aos 89 anos, Catarina Barnabé é um exemplo de como o alargamento da rede de cuidados de hemodiálise trouxe melhorias nos tratamentos. Há três anos, quando lhe foi diagnosticada insuficiência renal crónica e ficou dependente do processo de hemodiálise, o distrito de Portalegre não conseguia garantir resposta a todos os utentes. Catarina viajou muitas vezes de Monforte, onde reside, para o Montijo ou para o Entroncamento para fazer hemodiálise.

'Saía de casa às 10h00 e cheguei a voltar à 01h00 do dia seguinte. Chegava mais doente do que ia', disse ao CM a idosa, que durante a vida trabalhou no campo e serviu em residências particulares. Com a abertura do novo centro privado da Fresenius, em Portalegre, diz nem conseguir quantificar a diferença. 'Sempre fui bem tratada em todo o lado, mas agora estou tão perto de casa', afiançou.

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