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Correio da Manhã

Sociedade
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A cada ano, 89 mil doentes precisam de cuidados pailativos

Há pelo menos seis mil jovens com necessidades paliativas em Portugal.
Francisca Genésio 4 de Novembro de 2018 às 09:20
Cuidados paliativos são uma necessidade crescente em Portugal
Cuidados paliativos são uma necessidade crescente em Portugal FOTO: iStockphoto

Por ano, cerca de 89 mil doentes portugueses precisam de cuidados paliativos, mas apenas metade das pessoas referenciadas têm acesso aos serviços, segundo estimativas da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.

"Proporcionar conforto e dignidade a pessoas que vivem com doenças crónicas, progressivas e incuráveis, oferecendo-lhes a melhor qualidade de vida possível, é o principal objetivo destes cuidados. O foco principal é o doente e a família, ao invés de focar a doença", explica a equipa da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Cascais. A assistência, sublinham, "não se destina apenas aos doentes nos últimos dias ou semanas de vida". De acordo com a equipa, os cuidados paliativos podem ser realizados em todas as faixas etárias.

Em Portugal existem pelo menos seis mil crianças e jovens com necessidades paliativas: a maioria está referenciada no Porto e em Lisboa. Os especialistas alertam para falta de recursos para responder às necessidades dos doentes.

As equipas paliativas são multidisciplinares. Desta forma, dependendo das necessidades do paciente, os especialistas poderão variar. "A estrutura base de uma equipa integra médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos. No entanto é fundamental a colaboração de fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais ou guias espirituais", explicou a equipa do Hospital de Cascais.

Famílias assumem papel importante na assistência

As famílias dos pacientes assumem um papel fundamental nos cuidados paliativos. A assistência não é prestada apenas ao doente, mas também aos familiares, já que estes têm de aprender também a lidar com determinadas situações. Desta forma, a intervenção das equipas multidisciplinares inclui reuniões com as famílias, assim como ações de formação e garantia de apoio.

"O acompanhamento desde cedo dos doentes e seus familiares possibilita a atuação precoce no tratamento de sintomas, prevenindo o sofrimento, o apoio psicológico no processo de adaptação à doença e às sucessivas perdas, a resolução atempada de problemas sociais, e a prevenção do luto patológico", explica a equipa do Hospital de Cascais. O alívio dos sintomas, como a dor, falta de ar, cansaço e até falta de apetite, por exemplo, é feito através de medicação, mas também de outras técnicas, consoante o diagnóstico do paciente. O alívio pode ainda ser complementado com medidas como a fisioterapia, massagens, apoio psicológico e/ou espiritual.

Conselho da semana

A decisão de recorrer a uma unidade especializada em cuidados paliativos deve ser bem ponderada pelas famílias. Opte por uma que disponha de técnicos com formação específica na área e de uma equipa composta por diversos profissionais de saúde, uma vez que há doentes com características que exigem intervenções específicas.

Luísa Silva, Enfermeira no Hospital de Cascais

"O nosso papel é orientar o doente e a família"

Qual o papel de um enfermeiro nos cuidados paliativos?

Luísa Silva – É um elemento aglutinador da equipa multidisciplinar pela proximidade e contacto regular com todos os elementos e no desenvolvimento do trabalho em equipa. Por outro lado, é um elemento facilitador no contacto e acompanhamento do doente e família.

– Que atividades desenvolve no dia a dia?

– Acompanhamento dos doentes internados, em parceria com as equipas de cuidados, realização de consulta de enfermagem em conjunto com a médica da equipa, reuniões, atendimento e orientação do doente e família através da linha telefónica de apoio e articulação com as equipas e instituições da comunidade.

32 equipas especializadas em Portugal

No ano passado existiam em Portugal 32 equipas especializadas em cuidados paliativos, segundo o Observatório Nacional de Cuidados Paliativos. A equipa do Hospital de Cascais é liderada pelas médicas Magda Faria (na foto, à esq.) e Sofia Rodrigues (ao lado). Fazem ainda parte da equipa a psicóloga Cristina Jordão (centro), Catarina Oliveira, assistente social, e Luísa Silva, enfermeira.

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