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Correio da Manhã

Sociedade
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"A dignidade das pessoas no SNS está colocada em causa"

Bastonária da Ordem dos Enfermeiros ouvida na comissão parlamentar da Saúde.
Teresa Oliveira 4 de Janeiro de 2017 às 17:00
 A bastonária contou aos deputados que a denúncia vai seguir para o Ministério Público
A bastonária contou aos deputados que a denúncia vai seguir para o Ministério Público FOTO: Mariline Alves

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros lançou  ‘a bomba’ quando denunciou, em dezembro, que em um hospital público os doentes "ficaram dois dias sem alimentação e medicação", mas ontem, em audiência parlamentar, Ana Rita Cavaco não revelou o nome da unidade hospitalar. A bastonária contou aos deputados que a denúncia vai seguir para o Ministério Público, estando a mesma na posse da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e do Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

"Este serviço abriu sem material básico, sem resguardos e cortinas para separação de doentes. Tinha 24 doentes para dois enfermeiros e auxiliares sem experiência. O serviço foi planeado para abrir com 12 camas e abriu com 16 camas", contou Ana Rita Cavaco na comissão parlamentar de Saúde.

Nas mais de duas horas de audição, a bastonária revelou que contactou "a administração do referido hospital, que negou a existência do serviço que abriu sem condições básicas e que continua a funcionar sem os enfermeiros necessários". Esta terça-feira aquela unidade "funcionava com 30 internados para dois enfermeiros, mas já tinha cortinas de separação e material, embora estivesse dentro de caixotes", afirmou.

Após a denúncia, a Ordem comunicou à IGAS e à  tutela e na mesma noite da denúncia foi visitar a unidade, "confirmando todos os dados denunciados e fundamentados".

A bastonária diz que a segurança dos utentes está ameaçada e sublinhou que "ter doentes acumulados potencia infecções". "Morrem 12 pessoas por dia devido a infeções hospitalares e gastamos mais de 300 milhões de euros por ano para as tratar" quando "a contratação de três mil enfermeiros por ano custa 64 milhões de euros anuais", afirmou. E rematou: "Não há margem para erros, estamos a falar da saúde das pessoas. A dignidade das pessoas no SNS está colocada em causa".

Apesar da insistência dos deputados, a bastonária não revelou o nome do hospital em causa, mas dirigiu-se aos deputados no sentido de tomarem medidas legislativas, ou outras, sobre as nomeações das administrações. Ana Rita Cavaco revelou ainda que , o que levou a deputada Luísa Salgueiro, do PS, a ‘puxar as orelhas’ a. Ana Rita Cavaco pela forma como se dirigiu aos deputados.

Sobre os enfermeiros efectivamente já contratados, a bastonária diz que ainda não recebeu os números da tutela, que aliás informa, semanalmente, sobre "as instituições onde a rutura dos serviços está instalada".

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