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Correio da Manhã

Sociedade
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Hipocondria, a doença imaginária com um sofrimento real

Um problema psiquiátrico que envolve preocupação excessiva.
Cláudia Machado 8 de Outubro de 2017 às 06:00
Doente pode desenvolver uma preocupação excessiva com determinado sintoma ou imaginar que tem uma doença grave
Médico
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Doente pode desenvolver uma preocupação excessiva com determinado sintoma ou imaginar que tem uma doença grave
Médico
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Doente pode desenvolver uma preocupação excessiva com determinado sintoma ou imaginar que tem uma doença grave
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Há quem desvalorize, há quem defenda que se trata somente de ter "a mania das doenças", mas a hipocondria existe e o seu impacto é genuíno. "A pessoa não está a inventar, está em grande sofrimento. Para ela, é sempre real e é por isso que este problema é conhecido como a doença imaginária com um sofrimento real", explica ao Viriato Horta, médico especialista de Medicina Geral e Familiar.

A hipocondria "é uma doença do foro psiquiátrico que se caracteriza por uma preocupação excessiva em relação a sintomas ou sinais do corpo, e que depois são relacionados com doenças específicas", clarifica Viriato Horta. A possível doença é como uma sombra que lhe escurece o pensamento, e que em vez de diminuir com a realização de exames médicos, aumenta e não permite que o doente descanse.

Segundo a classificação internacional da doença, há duas formas de ser hipocondríaco: "através da preocupação com o sintoma - o doente tem, de facto, um sintoma, como por exemplo gases ou um aperto no peito - ou da preocupação com uma doença". Qualquer que seja a forma diagnosticada, "geram-se sempre mecanismos de ansiedade e de sofrimento que levam o doente a viver de uma maneira condicionada. A hipocondria pode condicionar a família, o trabalho, o descanso e até a forma de comer", realça o especialista.

Obsessão com sintomas leva a pesquisa na internet
"Os hipocondríacos procuram por todos os meios esclarecer as suas dúvidas e encontrar as doenças que pensam ter, através de múltiplas consultas médicas e de muitos exames complementares de diagnóstico, mas têm muita dificuldade em aceitar que não têm essas doenças", afirma o médico Viriato Horta. Pelo contrário, "em vez de ficarem descansados, como sucede com a maioria das pessoas, os hipocondríacos sentem-se incompreendidos pelos outros, vivem muito perturbados e angustiados". E essa angústia leva-os a estudar "exaustivamente na literatura ou na internet" a doença "e muitas vezes tomam por iniciativa própria medicamentos que julgam ser úteis" para as tratar.

A falta de compreensão dos outros é uma das grandes barreiras para estes doentes: "Tem uma faceta folclórica, com a qual se brinca levianamente, mas o principal sofrimento do hipocondríaco é interior, é silencioso e é de longa duração, levando a consequências graves para a vida do doente e dos que estão à sua volta", alerta o médico.

Afeta 1 a 7 por cento da população 
"Existem muitas pessoas com traços hipocondríacos, isto é, que têm a ‘mania das doenças’ ou que vão muito ao médico, mas a verdadeira hipocondria é relativamente pouco frequente, variando entre 1 e 7 por cento da população, consoante os critérios de classificação usados", refere o médico Viriato Horta. A doença surge "de igual modo no género masculino e feminino".
Viriato Horta Familiar Medicina Geral saúde
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