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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

"A população residente em áreas de risco deve abandonar as suas habitações com máxima brevidade", alerta Câmara de Santarém

Zonas identificadas como críticas são Caneiras, Ribeira de Santarém e São Vicente do Paul - Reguengo do Alviela.

05 de fevereiro de 2026 às 12:52

A Câmara de Santarém determinou esta quinta-feira a "evacuação obrigatória das zonas ribeirinhas" e o encerramento de todas as escolas do concelho como medidas urgentes de proteção à população na sequência do alerta de situação de cheias "nas próximas horas".

"A população residente em áreas de risco deve abandonar as suas habitações com máxima brevidade", avisou o município de Santarém, indicando que as zonas identificadas como críticas são Caneiras, Ribeira de Santarém (até à linha de caminho de ferro) e São Vicente do Paul -- Reguengo do Alviela.

Nestas três zonas ribeirinhas, a Câmara de Santarém determinou a evacuação obrigatória "nas próximas sete horas", segundo um comunicado divulgado cerca das 11:15.

Além disso, o município alertou que outras zonas poderão ser afetadas com a evolução do aumento das cheias, nomeadamente Vale de Figueira (zona da Secágro) e Alfange.

A evacuação das zonas ribeirinhas é uma das medidas urgentes e preventivas determinadas pela Câmara de Santarém, em conjunto com o Serviço Municipal de Proteção Civil, no âmbito do aviso à população para "uma situação de cheias nas próximas horas", devido ao aumento exponencial dos caudais do Rio Tejo e seus afluentes, bem como à precipitação intensa prevista entre hoje e sexta-feira.

Outra das medidas é o encerramento de todas as escolas do concelho na sexta-feira, com o objetivo de "evitar deslocações e garantir a segurança da comunidade escolar".

Neste âmbito, a Câmara de Santarém ativou a "reabertura da Passagem de Nível do Peso (excecionalmente) para evacuação da zona das Caneiras, só disponível a veículos ligeiros e de proteção civil", bem como equipas permanentes de acompanhamento e monitorização das zonas ribeirinhas.

Ainda sobre os meios de proteção civil mobilizados, o município determinou o apoio operacional às evacuações e circulação em segurança e a criação de um Centro de Acolhimento Temporário a partir das 16:00, no Pavilhão Municipal de Santarém para pessoas sem suporte familiar imediato, assegurando condições de alojamento, alimentação e apoio social.

A Câmara de Santarém recomenda à população que evite todas as deslocações desnecessárias, privilegie o teletrabalho e se mantenha atento às comunicações oficiais do município, informando que os contactos da Proteção Civil Municipal são 243 333 122 e 800 222 122.

Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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