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Correio da Manhã

Sociedade
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Acabam as aulas de 90 minutos

Proposta de revisão curricular propõe tempos de uma hora. Haverá três ciclos de quatro anos e o regresso da escola primária. Retenções ficam reservadas aos 4.º, 6.º e 8.º anos de escolaridade.
12 de Julho de 2010 às 00:30
Nas aulas de 90 minutos os alunos revelam elevados défices de concentração
Nas aulas de 90 minutos os alunos revelam elevados défices de concentração FOTO: Pedro Catarino

A ideia consta da proposta de revisão curricular dos ensinos Básico e Secundário apresentada pelo Conselho de Escolas ao Ministério da Educação: acabar com as aulas de 90 minutos, passando os tempos lectivos para uma hora. Com a excepção das aulas de carácter prático e experimental, em que os tempos serão de 120 minutos sem intervalo.

'Os tempos lectivos de 90 minutos conduzem a uma saturação dos jovens que revelam elevados défices de concentração, o que, inevitavelmente, gera mais conflitos e um acréscimo de situações de indisciplina', pode ler-se no documento a que o CM teve acesso.

A proposta aponta também para a diminuição da carga horária lectiva que existe actualmente e para o fim dos chumbos na maioria dos anos, ficando as retenções reservadas aos 4º, 6º e 8º anos. No 4º ano é necessário o acordo dos pais.

A proposta, que divide os 12 anos de escolaridade obrigatória em três ciclos de quatro anos, vai ser discutida pelos agentes educativos no próximo ano lectivo, e o essencial deve entrar em vigor em 2011/2012.

Para além do fim das muito criticadas aulas de 90 minutos, esta proposta aponta para o regresso do antigo ensino Primário, cuja terminologia foi substituída há quase três décadas por ensino Básico.

Assim, a exemplo do que acontece na maioria dos países do Norte da Europa, após o Ensino Pré--escolar os alunos ingressam no ensino Primário, que continua a ser constituído por quatro anos.

Segue-se depois o ensino Secundário Geral, do 5º ao 8º ano, e, finalmente, o Secundário Superior, do 9º ao 12º ano. Este tem currículos iguais para todos nos 9º e 10º anos, dividindo-se no 11º ano em dois grupos: o dos alunos que pretendem ingressar no ensino Superior e o dos que optem pela via dos cursos profissionais.

A proposta já mereceu, na generalidade, a concordância do Ministério da Educação, mas só em Setembro, no início do ano lectivo, deve chegar ao conhecimento dos vários agentes educativos.

PORMENORES

TRÊS CICLOS DO BÁSICO

São nove anos divididos em três ciclos de 4, 2 e 3 anos e um conceito considerado obsoleto. A nova proposta aponta para três ciclos de quatro anos na futura escolaridade obrigatória, alargada para 12 anos.

EDUCAÇÃO SEXUAL

Faz parte da proposta para o Secundário Geral. O currículo deve abranger quatro áreas: ciências exactas e experimentais, línguas e humanidades, expressões e educação sexual e cidadania. 

APRENDER LETRAS E NÚMEROS A PARTIR DOS CINCO ANOS

O grupo de trabalho que elaborou a proposta de revisão curricular refere também alterações que considera 'fundamentais' ao nível do ensino pré-escolar. Considera o grupo que todas as crianças deviam frequentar a escola a partir dos três anos, sublinhando que a educação pré-escolar 'deve ser universal, gratuita e obrigatória pelo menos dos cinco aos seis anos'. Considera também essencial uma maior articulação entre o pré-escolar e o ensino Primário e que as crianças devem aprender letras e números logo a partir dos cinco anos.

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