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Correio da Manhã

Sociedade
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Acordo Ortográfico ainda não é para todos

Opinião divide professores.
9 de Maio de 2015 às 10:42
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Escrever FOTO: Getty Images

A Associação Nacional de Professores (ANP) defende que este ano deveriam ser permitidas as duas grafias nos exames, uma vez que a aplicação do novo Acordo Ortográfico ainda não é uniforme em todos os meios.


"Não é uniforme a aplicação em toda a Comunicação Social. Nas próprias bibliotecas escolares ainda não foram retirados todos os livros antigos", disse à agência Lusa a presidente da associação, Paula Carqueja.


A docente alegou também que a nova grafia não está consolidada nas famílias, nem em todas as publicações: "Os jovens não leem só os manuais escolares. Ainda há muitos fatores que temos de ter em consideração".


Para a ANP, este ano e apenas este ano, a título excecional, deveria ser ainda permitida nas provas e exames a utilização da grafia antiga.


"Se pedimos aos jovens para lerem, para estudarem, não podemos ter apenas em conta os manuais escolares", disse.


Nova grafia nas provas
No ano passado, foi já aplicada aos alunos do 6.º ano a obrigatoriedade de usarem a nova grafia nas provas de final de ciclo, uma medida que se aplica agora aos restantes exames (4.º ano, 9.º , 11.º e 12.º), com o fim do período de transição de seis anos para a plena entrada em vigor do AO.


Também a recém criada Associação Nacional de Professores de Português (ANPROPORT) entende que por não estar consolidada na sociedade portuguesa a nova grafia, "não é justo" exigir aos alunos que usem apenas a versão estipulada no novo acordo.


A associação apoia, por isso, uma petição que se encontra na Assembleia da República, para haver um prolongamento do prazo de aplicação nos exames, especialmente do 12.º ano.


"Os alunos estão numa fase crucial da sua vida", justificou António Fernando Nabais, presidente da associação criada em janeiro e que entregou um parecer ao Ministério da Educação, neste sentido.


Posição diferente tem a Associação de Professores de Português (APP) para a qual, foi suficiente o debate e a formação realizada ao longo dos últimos anos.


"Sabemos que há uma petição a pedir o prolongamento do prazo, por causa dos exames do 12.º ano, e não vimos inconveniente nisso, mas os professores já sabiam há muito tempo o que deviam explicar aos alunos e ensinar as regras do novo acordo", afirmou a presidente da APP Edviges Antunes Ferreira.


"Há cinco anos que se fala nisto, as pessoas já deviam ter-se preparado", argumentou.


O acordo foi assinado em Lisboa em 1990 e começou a ser adotado em 2009, sendo permitidas as duas grafias até 2015, ao abrigo do período de adaptação de seis anos predefinido, indicando-se o dia 13 de maio de 2009 como a data de "depósito do respetivo instrumento de ratificação".

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