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Sociedade
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Furacão Lorenzo provoca rasto de destruição e faz 53 desalojados nos Açores

Cem pessoas retiradas de casa por precaução. Há falhas no fornecimento elétrico.
Lusa e Correio da Manhã 2 de Outubro de 2019 às 06:46
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Furacão Lorenzo deixa rasto de destruição nos Açores

O furacão "Lorenzo" provocou mais de 170 ocorrências entre a madrugada e a parte da tarde desta quarta-feira nos Açores, obrigando ao realojamento de mais de 50 pessoas, revelou ao início da tarde o Governo Regional. Cem pessoas foram retiradas das suas habitações por precaução.

Cerca das 17h00 (16h00 nos Açores), foi feito um novo ponto de situação da Prociv, que avançou que até ao momento, foram registadas 82 ocorrências no Faial, 54 no Pico e 28 na Ilha das Flores.

"Os meios e a qualidade dos nossos homens foram suficientes para resolver as ocorrências".

"Teremos de avaliar os estragos e precisamos da ajuda do governo central. Temos de parar, ver e avaliar os custos", afirmou Teresa Luciano, a secretária regional da Saúde dos Açores, que tutela a Proteção Civil.

Segundo a governante, foi necessário realojar 53 pessoas em três ilhas: "quatro em São Jorge, 42 no Faial e sete nas Flores".

Muito vento, agitação marítima e até há quem desafie a Natureza: a passagem do Furacão Lorenzo nos Açores


A entidade confirmou, em comunicado de imprensa, a "destruição de uma parte/troço do molhe" do Porto das Lajes das Flores, "na zona onde se situa o edifício da Portos dos Açores".


Foram encerradas 61 estradas em todas as ilhas, com exceção do Corvo e de Santa Maria.

A Proteção Civil dos Açores recomendou à população que fossem adotadas "as medidas de autoproteção".

Algumas freguesias de cinco ilhas ficaram sem eletricidade, sendo que parte da vila das Lajes, nas Flores, está sem energia, segundo a elétrica regional. Fonte da Eletricidade dos Açores (EDA) adiantou à Lusa que na ilha Graciosa (grupo Central) a freguesia da Guadalupe "ainda não tem energia".

Também no grupo Central, na ilha de São Jorge, a freguesia do Topo "ainda não tem energia" e na ilha do Pico a zona mais afetada é o concelho da Madalena, de acordo com a mesma fonte.

Mar pode ter levado parte do molhe do Porto das Lajes das Flores
O mar poderá ter levado parte do molhe e um edifício de apoio do Porto das Lajes das Flores, nos Açores, na sequência da passagem do furacão "Lorenzo", avançou a Proteção Civil açoriana.

"Temos uma situação, que ainda estamos a confirmar, ocorrida no Porto das Lajes das Flores, com o desaparecimento de parte do molhe, de um edifício de apoio e de alguns contentores", adiantou o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, Carlos Neves, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo (ilha Terceira), por volta das 06h30 locais (07h30 em Lisboa).

"É uma situação que estamos a confirmar. Ainda não poderei dizer de forma concreta o que se passou. Estamos a receber as informações e a saber a extensão dos estragos", acrescentou.



Período crítico mantém-se até às 09h00
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) dos Açores declarou que o período crítico do furacão "Lorenzo" decorrerá até às 09h00 da região (10h00 em Lisboa), afetando maioritariamente a ilha das Flores e do Corvo.

"O centro do furacão já passou" a oeste da ilha das Flores, e encontra-se a caminho de norte/noroeste, "com tendência a afastar-se" progressivamente da ilha do grupo ocidental, declarou a meteorologista Vanda Costa à agência Lusa, falando pouco depois das 05h30.

O furacão "Lorenzo" baixou já para categoria 1, na intensidade prevista pela Proteção Civil açoriana.

"Estamos a acompanhar todo o processo e pensamos que o pico será por volta das 06h00 [07h00 em Portugal continental]", afirmou Teresa Machado Luciano.

A rajada máxima até ao momento, 145 quilómetros por hora (Km/hora), foi registada na ilha do Faial, no grupo central, seguindo-se 130 Km/hora nas Flores e 126 km/hora no Corvo.

Já foram encerradas 61 estradas em várias ilhas dos Açores.

Pelas 06h00, o centro do furacão deve estar a aproximadamente 100 quilómetros a oeste da ilha das Flores.

Para as ilhas das Flores e do Corvo (grupo Ocidental), prevê-se vento sueste rodando para noroeste com rajadas na ordem dos 190 km/hora (com uma probabilidade de 40% de a rajada máxima ser superior a 200 km/h), chuva por vezes forte e ondas de sul passando a sudoeste, com altura significativa entre 10 e 15 metros. A altura máxima de onda pode atingir os 25 metros.

Já para o grupo Central (Pico, São Jorge, Faial, Graciosa e Terceira) é esperado vento sudoeste com rajadas até 160 km/h, períodos de chuva e ondas de sudoeste passando a oeste com altura significativa entre nove e 12 metros, podendo a altura máxima de onda atingir os 22 metros.

Nas ilhas do grupo Oriental - São Miguel e Santa Maria - deverá haver vento sul rodando para oeste com rajadas até 100 km/h, períodos de chuva e ondas de sudoeste com altura significativa entre sete e nove metros.

Queda de árvore de grande porte fecha estrada nas Flores
O comandante dos Bombeiros de Santa Cruz das Flores declarou à Lusa que está encerrada a estrada na Zona do Monte, em Santa Cruz das Flores, devido à queda de uma árvore de grande porte em virtude da passagem do furacão "Lorenzo".

Os trabalhos de remoção da árvore já foram efetuados, tendo sido parte da árvore cortada, revelou o comandante Aníbal Lopes.

Uma segunda ocorrência registada na ilha das Flores "não foi significativa e já foi resolvida", assinalou o mesmo responsável.


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