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Correio da Manhã

Sociedade
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Acusações mútuas marcam debate entre candidatos a bastonário da Ordem dos Advogados

Menezes Leitão foi acusado de representar o passado. Ripostou defendendo que a Ordem ficou parada durante os últimos três anos.
Bernardo Esteves 10 de Dezembro de 2019 às 08:56
Menezes Leitão (esq.) debateu com Guilherme Figueiredo (dir.) na CMTV, com moderação de José Carlos Castro
Menezes Leitão (esq.) debateu com Guilherme Figueiredo (dir.) na CMTV, com moderação de José Carlos Castro FOTO: CMTV
O atual bastonário Guilherme Figueiredo acusou ontem Menezes Leitão de representar o passado, por ter na sua lista "pessoas que deixaram a Ordem dos Advogados num caos".

Em debate na CMTV, antes da segunda volta das eleições que decorrem entre hoje e sexta-feira, Menezes Leitão, da lista Z, ripostou, acusando o bastonário de "não ter reparado que passaram três anos e a Ordem nada fez".

Na primeira volta, os candidatos ficaram separados por mais de 1400 votos, em cerca de 24 mil votantes, com vantagem para Guilherme Figueiredo, da lista Q - o bastonário arrecadou 6121 votos e o oponente 4677. Luís Menezes Leitão, atual presidente do Conselho Superior, acusou a Ordem de "opacidade", por ter deixado de "publicar as atas".

O bastonário garantiu, no entanto, que se limitou a cumprir as determinações da Comissão Nacional de Proteção de Dados.

Menezes Leitão acusou ainda o bastonário de ter promovido "um aumento colossal das contribuições" para a Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores (CPAS), com cada advogado a contribuir "com 252,38 euros por mês, mesmo que nada receba". Guilherme Figueiredo negou, garantindo que foram encontrados mecanismos para limitar o aumento que poderia ter chegado aos 400 euros.

Em relação à delação premiada, ambos são contra, mas Guilherme Figueiredo admite vantagens no melhoramento do sistema de direito premial. O bastonário criticou o oponente, que acusa de querer acumular o cargo na Ordem com a presidência da Associação de Proprietários Lisbonenses. Não teve resposta.

Luís Menezes Leitão
"Estou totalmente contra a delação premiada. Cria sistema em que muitas vezes há documentos forjados.’’;
"Passaram três anos e a ordem não fez nada. a situação dos estagiários não melhorou, e deixou de publicar atas no site, vive em opacidade total.";
"Houve aumento colossal das contribuições da Caixa de previdência. Mesmo que nada receba, paga-se 252,38 euros.";
"Ordem perdeu a influência, é ignorada e queremos voltar a ter uma voz ativa.";

Guilherme Figueiredo
‘‘Se for delação premiada estamos contra. Já um sistema de atenuação da pena com meios de prova em audiência pode combater a corrupção";
‘‘Menezes Leitão representa o passado. Na lista tem pessoas que deixaram a ordem num caos de que estamos a tentar recuperar.";
"O aumento na contribuição para a caixa já vem de 2015. Encontrámos forma de reduzir ou já pagariam perto dos 400 euros.’’;
‘‘Não podemos ter bastonários que berram quando veem um microfone.";
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